domingo, 12 de julho de 2015

Depois da mandioca da Dilma, o crucifixo do Morales

A cruz em forma de martelo e foice entregue nesta quinta-feira ao papa Francisco por Evo Morales, presidente da Bolívia, seria uma reprodução do objeto criado pelo jesuíta espanhol Espinal, morto em 1980 por paramilitares contrários às suas lutas sociais.

Fonte: BBC Brasil (09/07/2015)

O Papa ainda não terminou seu périplo pela América do Sul. Equador, Bolívia e Paraguai foram os países agraciados com a presença de Sua Santidade. O que vai ficar marcado indelevelmente na viagem, além das falas contundentes e engajadas adotadas pelo pontífice, é um “presente” dado pelo presidente boliviano, o bolivariano Evo Morales.

Uma foto destaca o momento sem-noção do camarada Evo. O Papa parece temer tocar na abominação e não falo no sentido religioso, o que daria muito pano pra manga, mas da obra em si e sua aparência, digamos, horrenda para dizer o mínimo. Trata-se de uma foice e um martelo, símbolo do comunismo mundial consagrado pelos soviéticos e reproduzido em bandeiras e brasões de inúmeras nações que o implantaram para desgraça de seu povo.

A imagem do Cristo está crucificada no martelo e pouco acima da foice. Não há exegese que explique a demência da coisa. O rosto do Papa, qualquer um pode ver, parece traduzir o que vai na sua mente: PQP! O que esse imbecil está pensando? Ou esta, menos escatológica: Deus, me segura porque vou dar um bofete neste aimará maluco.

Há nítida surpresa e um leve e amarelo sorriso papal que tenta entender o significado do desastre estético e teológico. Nem os mais empedernidos teólogos da libertação boffinianos ousariam ajuntar símbolos tão díspares num mesmo saco. Só pra lembrar. O martelo e a foice foram usados literalmente para matar cristãos dentro das fronteiras de quase todo país comunista e que decretaram o ateísmo como uma política de estado. Mas coerência na esquerda, intelectual ou chifrim, é como pedir ao porco que não goste de lama.

Imagino o que ocorreu entre os assessores mais chegados ao presidente. Em alegre debate tentando agradar primeiramente ao seu patrãozinho. Foram incumbidos de pensar num típico presente que seria dado ao ilustre visitante. Um deles conhecia um artesão que faz qualquer coisa que lhe mandam. Camaradas, disse alguém, o presente deve traduzir a revolução bolivariana e o socialismo do séc. XXI do inefável companheiro finado Chavez que Deus o tenha. Benzeu-se, no que foi acompanhado pelos demais num sonoro “amém”. De repente, como que atingido por uma convulsão cerebral, berrou: viva Che! E os outros bradaram: viva! Viva Evo! Viva! Viva Chavez! Viva! Viva Dilma! O quê? Perdón, camaradas!

Um sujeito que a tudo assistia com pouca participação, pois parecia num transe, disse: um resumo da obra crística-bolivariana, a maneira de afastarmos esse cristianismo do colonizador opressor. Algo original com cheiro de Andes e cocô de Alpaca. Pregaremos Jesus na foice e no martelo. É a síntese de tudo. Olhos lacrimejados. Sinto aqui a presença do Chavez. Ele bafejou a ideia do presente ao Santo Papa. Amém, disseram todos. Ao final, antes de sair do transe, rabiscou freneticamente a obra. Com reverência, entregou o papel a um seu camarada que partiu incontinenti em busca do artesão que faria a esquisitice.

Dilma daria mandiocas ao Papa. Talvez com a imagem da Aparecida esculpida numa delas, vai se saber. De qualquer forma, o Papa já pagava um mico danado, pois nem bem desceu do avião, Evo sapecou-lhe um colar com uma sacola semelhante a um bornal e que trazia uns penduricalhos parecendo pequenas trouxas. A primeira fala do Papa, ainda no aeroporto, foi com a coisa pendurada ao peito. Nem Dilma com sua proverbial antice seria capaz de tanto.

A provação papal, no entanto, está quase no fim. Talvez reserve um momentozinho para fazer uma sacolagem entre nossos mais chegados falsificadores e agora entreposto chinês. O mercado de quinquilharias paraguaio.
Enquanto os fieis se dividem entre esquerda e direita, os primeiros a favor do presente destrambelhado do Morales e os segundos contra o que consideram um acinte à fé, o mundo gira. Há suspeitas de que o Santo Padre teria, qual Carlota Joaquina, batido o pó boliviano dos pés, mas era só para tirar a inhaca do Evo que grudou na batina.

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