domingo, 18 de março de 2012

Morte Proibida


Na cidade italiana de Falciano del Massico, a morte pode até bater à porta, mas os moradores não podem abri-la de jeito nenhum.

Fonte: Folha de São Paulo (Caderno Mundo – 16/03/2012)

Sentado em sua escrivaninha, seu rosto denotava todo o desânimo. Não tinha solução para o problema. A cidade era pequena, era verdade, e construída espremida entre a montanha que subia verticalmente uns mil metros e o mar, não havia mais terreno para mais nada. A especulação imobiliária, casinhas brancas penduradas sobre o azul do Mediterrâneo, fez estragos nos anos setenta da qual a cidade nunca se recuperou.
Naquela época era uma espécie de pequeno paraíso que atraiu algumas celebridades. Mas ô povinho volúvel é celebridade. São piores que ciganos – xi, acho que vou ser preso pelo procurador que queria tirar o verbete “cigano” porque disse que o Houaiss era preconceituoso. Dane-se, os ciganos vivem se mudando. É um povo sem pousada. Acho que está entendido o sentido aqui, ou não?
O prefeito Máximo Pompílio não sabia mais o que fazer porque com a população pequena e envelhecida, a cada mês um se despedia desta para outra. Semana passada, o último lugar possível para enterrar fora ocupado. Se morresse mais alguém, não haveria onde colocar. Cremar não era possível, porque não havia crematório e o povo, conservador, fazia questão de ser enterrado na cidade. Mas sem lugar, o que fazer?
Nem se conte que dona Melindra havia dias que ora ameaçava empacotar e no outro dia se via comendo uma baita macarronada. Seu Catifundo, esse estava em situação mais periclitante. Um bater de porta e o coração dele pifava. Máximo estava uma pilha.
Ele até deu a ideia de jogar os corpos no mar, como se fez com o Bin Laden, mas ninguém queria ter os olhos roídos por camarões, baiacus e outros bichos. Sem contar uns pepinos do mar que quereriam entrar em orifícios não autorizados. Foi uma celeuma. Quase foi linchado por tamanha insolência. O padre liderou uma cruzada e fez vigília à sua porta por quase uma semana por falta de amor cristão. Agora não passa uma carola perto dele que não dê uma cusparada no chão em sinal de protesto e desprezo.
Lembrou que um xará seu, que não sabia se era personagem ou gente real, Odorico Paraguassú, tinha cemitério e tentou por dez mandatos inaugurá-lo, mas por teimosia e ingratidão ninguém morria na cidade. Seu caso era um cemitério superpopuloso. Era uma China defuntícia. Havia túmulos que pareciam arranha céus. Teve que intervir. Mais alto não se construía porque o terreno não suportava edifícios tão pesados. Era o pior dos mundos. Sem contar que havia jazigos que já pendiam prum lado. Tentou ganhar dinheiro com turistas desavisados dizendo que eram as verdadeiras torres de Pisa. Não colou.
Consultou o padre que o perseguiu em busca de ajuda e reconciliação. O padre disse que ele não ousasse vir com propostas indecentes e desrespeitosas com os pobres defuntos da cidade. Padre Pio, já tentei de tudo e não há mais lugar onde por nossos queridos presuntos, quero dizer, falecidos. Aham... E o senhor tem alguma saída para o impasse? Decretarei que até que tenhamos um cemitério, todos estão terminantemente proibidos de passar para o outro lado. Ninguém deve ousar morrer e se alguém o fizer, será severamente punido. Padre Pio ouviu estupefato, estava certo que o prefeito manifestava um surto de pura megalomania, equiparava-se a Deus, pois afinal só Ele tem o poder de determinar a vida e a morte. Deu-lhe uma descompostura e foi-se abanando a batina.
Máximo estava resoluto e não se deixaria intimidar. Estava disposto a conversar com a dona morte em pessoa, se fosse necessário, e pedir uma trégua. Aliás, era o que faria. Escreveu-lhe. Prezada Senhora Morte. Por favor, esqueça-nos por alguns meses. Tem lugares mais precisados da senhora. Terei prazer em recebê-la em nossa cidade assim que estivermos preparados para tão ilustre visita e com lugar adequado para acomodá-la. Temos bons cidadãos que ficarão honrados em acompanhá-la, mas não no momento, porque estão todos obedecendo um decreto que lhes proíbe morrer. Obrigado. Este seu admirador. Máximo Pompílio. Prefeito.

sábado, 10 de março de 2012

Conselhos de amor


Dia da mulher, 8 de março, o programa de rádio “Conselhos de amor” preparou algo especial para suas ouvintes. Antes, um pouco de história. Quando começou, vinte anos atrás, “Conselhos de amor” nem tinha este nome e tampouco era exclusivo para o público feminino. Democlécio Black, nome artístico do locutor, ainda se chamava Sisifredo Silva e fazia um programa mundo cão. Acontece que de tanto atender mães e mulheres de bandidos, o programa foi mudando o perfil, do mesmo modo que a voz de Sisifredo/Democlécio foi se amanteigando com um leve ronronar como quem fala ao pezinho do ouvido de uma mulher a quem se quer conquistar.
A nova voz sussurrada, compassada, carregada com tons de rouquidão treinada para torná-la mais masculina capaz de derreter até o coração daquela sua tia solteirona, que acha todos os homens do mundo uns porcos chauvinistas, era sua marca registrada. Mulher não gosta de homem que fala fino, dizia Democlécio Black. Alguma razão tinha. As falas, recomendava, deviam ser cheias de diminutivos e de palavrinhas dengosas para a mulherada. Receita que lhe deu sucesso imediato. Demo Black – é a forma mais nova do nome do locutor, que não se importa se as pessoas fazem graça dizendo que seu nome é sinônimo de capiroto – dá conselhos, oferece músicas a la Wando e manda recadinhos de amor, quadro que bomba com a quantidade de pedidos.
O segredo de dar conselhos às mulheres de certo perfil é fazer-lhes quindim, fingir ficar contra os homens, não de forma aberta e escancarada. Há que ter sutileza nestas coisas. É mais dar-lhes razão às queixas contra os cafajestes que elas amam. Uma palavra dita sem o meneio adequado, vai colocá-las contra o aconselhador. Demo sabia fazer isso como ninguém. Nem mesmo Vadinho tinha seu tato e malemolência. Não importa, ensinava Demo, se os conselhos são profundos ou verdadeiros. Aliás, afirmava, não trabalhava com a verdade, trabalhava com o coração das mulheres apaixonadas que sempre está disposto a acreditar, deste que lhes dissesse o que queriam ouvir. E todas querem ouvir que são lindas, únicas e que há um príncipe à sua espera. O cara com quem estão não as merecem. Fisolofia de boteco, você diria, mas Demo fazia um sucesso danado.
No dia da mulher, uma consulente/ouvinte ligou aflita. Demo, me ajude. Estou casada há três anos com um homem maravilhoso, que me dá atenção, carinho e sempre me respeita. Damos certo em tudo, inclusive naquela parte, eu sou o fogo e ele a gasolina, você entende, não é? Acontece que ele trabalha num lugar longe, diz que é muito insalubre, não tem endereço certo, nem telefone e que precisa ficar lá por oito meses e que só lhe dão quatro meses livre no ano. O que você me aconselha? Estou sem saber o que fazer. Existe um trabalho assim?
Demo Black pigarreou, acertou sua melhor voz e disse num ataque de louca sinceridade: minha lindinha, veja bem, este homem tem outra mulher em alguma biboca, talvez nem tão longe de você. Para ela deve dizer uma mentira parecida, mas como deve ser mais casca grossa e não suportaria os oito meses que você aguenta, diz que trabalha no mesmo lugar, mas só quatro meses. Simples assim. Silêncio. Lindinha? Você ainda está aí? Um choro longe era ouvido no rádio. Constrangimento. Demo já pensava em colocar uma música quando veio-lhe a ideia salvadora. Mentiria como sempre fez.
A ouvinte, por fim, disse: ainda estou aqui. Fungava entre leves soluços de um coração machucado pela bruta verdade ou quase. Que bom, fofucha, eu estava brincando, gracejou Demo. Seu príncipe trabalha numa mina a cem quilômetros de profundidade. Leva um mês para descer e dois para subir. Trabalha como os mineiros chilenos, na mais completa escuridão, ar abafado, e depois volta para você cheio de amor para lhe dar. È o melhor dos mundos. Vocês não tem tempo para brigar, tudo é love e quando um está abusando, ele tem que partir deixando a saudade que alimentará sua espera. A mulher ria. Oh, Demo, você salvou a minha vida. Um beijo lindinha! E agora vamos fazer a felicidade de mais uma ouvinte. Alô?

segunda-feira, 5 de março de 2012

Psicologia, Religião e Homossexualidade: um debate irresolvido


Por Eudes Alencar*
Leio na Folha de 27 de fevereiro, seção Cotidiano, a notícia de que a bancada evangélica apoia o projeto de decreto legislativo do deputado João Campos (PSDB-GO) que quer sustar dois artigos da Resolução 001/1999 do Conselho Federal de Psicologia. A dita Resolução proíbe, entre outras coisas, qualquer psicólogo(a) de “tratar” ou dispor-se a “curar” um homossexual – falaremos sobre isso mais adiante. O deputado alega que o CFP extrapola sua função de regulamentar a profissão de psicólogo e se imiscui nas questões da liberdade de uma pessoa receber atendimento ou orientação profissional, se assim o desejar. A despeito da aparente defesa de um direito, há que se ver se a iniciativa não esconde razões outras não confessadas: revanche, picuinha, demonstração de força... Não que a posição do Conselho não deva ser questionada.
O projeto apresentado é mais um capítulo da querela que se arrasta há tempos envolvendo uma questão maior. De um lado, como fruto dos movimentos sociais, o empoderamento das autodenominadas minorias, entre elas os homossexuais que, organizados, reclamam direitos que lhes estariam sendo negados. Do outro, uma classe que ascendeu em número e socialmente, os evangélicos com seus valores. Contudo, com a quase total adesão da mídia e instituições como o CFP, além do governo, os homossexuais tem alcançado grande visibilidade. Entre uma Parada Gay e outra, eles tem imposto uma agenda que planeja invadir da escola à igreja e cujo principal objetivo é aprovar leis específicas à sua classe, o casamento equiparado ao heterossexual incluído.
A PLC 122/2006 é, possivelmente, o grande cavalo de batalha do movimento gay, embora, no momento, a questão esteja em fogo brando. A relatora, Sen. Marta Suplicy (PT), até  propôs o abrandamento da lei no tocante aos religiosos – evangélicos e católicos –, mas aquela ainda segue sem aprovação. A lei previa cadeia para o que determina como atitude homofóbica, ainda que dentro da própria comunidade religiosa ou citando o livro sagrado correspondente.
Este novo round revela a grande confusão que este tema suscita. De fato, há movimentos entre os religiosos que defendem a “cura” de homossexuais, mas até onde se sabe, não há notícia de que o façam à força ou mediante qualquer outro tipo de subterfúgio violento ou enganador. Expressam sua crença, seus princípios e sua forma de ver uma questão em particular. Discorde-se se for o caso, mas rotulá-los de fundamentalistas preconceituosos, homofóbicos e discriminatórios é, por bem dizer, difamação e agressão tanto quanto os homossexuais dizem sofrer.
Para o Conselho Federal de Psicologia, grande parte da imprensa e grupos homossexuais que hoje fazem verdadeiras patrulhas contra quem ousa se opor de qualquer forma às suas proposições, estilo de vida ou o que mais lhes diz respeito, só existe a opção de assumir, sair do armário. O simples fato de uma pessoa sofrer uma dúvida coloca-lhe irremediavelmente como homossexual, como se a sexualidade fosse estanque, uma fusão entre o corpo e a psique, mediada pela cultura, religião, e pelos valores que um aprende. Um ser humano em dúvida, assumindo a posição homossexual será mais feliz e resolvido? Um psicólogo tem a obrigação apenas de ajudar o que sofre a “assumir” e nunca a que escolha outro caminho em liberdade como deve ser?
Ainda a Folha, como forma de “provar” que existe quase um complô universal contra os gays e sua forma de vida, coloca na mesma reportagem citada no iníco deste texto um rapaz jovem, estudante de direito que, oprimido pelo pai, foi levado a um psicólogo quando tinha ainda dez anos de idade. O pai se recusava a aceitar o filho homossexual. Quantos casos assim existem nas famílias brasileiras? Quantos dramas iguais se desenrolam em silêncio e dor? Certamente muitos. Qual é a solução? Doutrinar os pais e mães? Ameaçá-los com cadeia? Promover a rebeldia dos jovens nesta condição? Quantos casos também se tornam finais felizes de aceitação e amor independente da rejeição inicial ou da invasão do Estado, de qualquer profissional ou das Ongs gay?
Nenhuma violência, física ou psicológica, deve ser aceita, nem sob o manto da autoridade paterna ou materna. Há, porém, que se dar o direito a estes de rejeitar aquilo que confronta sua forma de vida, sua cultura, sua religião, sua expectativa para um filho ou filha. Na maioria dos casos, mostra a experiência, o amor falará mais alto.
O atual presidente do CFP tergiversa diante de fatos que colocam o órgão em situação delicada. Na reportagem que está na Folha, defendendo a Resolução 001/1999, sai-se com a frase: "[Ninguém diz] 'cansei de ser hétero, vim aqui me transformar'". Isto é um sofisma. Tem dúvida ou sofre com a condição aquele que, sendo de um gênero, sente atração por alguém de seu mesmo sexo. O hetero, não tendo dúvida, não tem o que mudar. Assim também aquele que tem toda a certeza de sua homossexualidade. O senhor Humberto Verona ecoa, assim, o mantra dito pouco antes (no mesmo texto da reportagem) pelo presidente da Assoc. Bras. de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, Toni Reis. Disse ele que os psicológos(as) só devem tratar o que chama de síndrome de patinho feio. Quer dizer, assim como o patinho era um cisne – sua verdadeira espécie e não havia como mudar isso – qualquer pessoa que tão somente suspeita de ser homossexual, é de fato. Assim, os psicólogos(as) devem apenas encaminhar o cliente a tornar-se naquilo que já é, sem opção de qualquer natureza. Que entende este senhor de psicologia para dar lição aos profissionais?
Aqui cabe uma ligeira palavra sobre a Resolução do CFP agora questionada. O artigo 2º coloca o profissional da psicologia a serviço de uma causa, classe, expressão de sexualidade quando diz que os psicólogos devem contribuir para a reflexão que ponha termo ao preconceito etc, etc contra aqueles que apresentam comportamentos ou práticas homoeróticas. Ora, ora, ainda que psicólogos tenham neste tema seus estudos e experiência, definir isto para todos é, no mínimo, uma redundância, posto que o Código de Ética já estabelece que o compromisso deste profissional é com o ser humano em qualquer condição que se encontre.
O artigo 3º é ainda mais redundante e óbvio. O psicólogo não deve patologizar o comportamento homoerótico ou adotar ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados. Esta frase final é a cereja do bolo do absurdo. Um psicólogo que aceita cuidar de qualquer ser humano com base em coerção, violência e contra sua vontade, fere todo o Código da profissão e certamente alguns artigos do Código Penal do país.
Mas não contente, o CFP acrescentou a este artigo um Parágrafo Único. Entenderam que o transgressor poderia defender-se participando do atendimento de alguém que demonstrou querer por sua livre e espontânea vontade ser atendido, mas também isto lhe é vedado. A pergunta é: com base em quê? A pessoa que recorre a um psicólogo e pede auxílio numa decisão, numa alteração desta natureza – se é que é mudança em alguns casos – não tem autonomia para tal, é um coitado(a), certamente lhe fizeram uma lavagem cerebral. É, no fundo, uma vítima da sociedade, da família, da igreja que o enlouqueceram a ponto de querer mudar o que não pode ser mudado. Sim, porque segundo a tese, não há meios termos nesta questão.
Finalmente, numa nota pública, datada de 28 de fevereiro de 2012, o CFP se coloca na tentativa de explicar sua posição em relação à expressão de fé do psicólogo, sua ação profissional, seus deveres e direitos. Vale-se para tanto do Código de Ética, princípios fundamentais da prática psicológica e até da Carta dos Direitos Universais do Homem.
Talvez não houvesse qualquer reparo à nota, exceto que continua cega à complexidade da díade sexualidade X cultura (incluindo o fator sócioreligioso) e ao fato de que alguns psicólogos confessionais não são, apenas por isso, culpados por tentar mudar a expressão sexual de alguém se o recebem como paciente.  Até reconhecem isso na nota, mas o dizem quase como concessão ou assertiva professoral. Também ignora o fato de que psicólogos, confessionais ou não, podem e devem atender quem quer que seja que os procurem com a queixa da dúvida sobre sua sexualidade e, efetivamente, milhares o fazem Brasil afora, sem ferir a dignidade daquele que é atendido ou aos preceitos da profissão.
Deve-se reconhecer que “vender a cura para a homossexualidade” deve ser rechaçada, pois seria, no mínimo, charlatanismo científico e profissional, desonestidade com aquele que aceitasse pagar por tal proposição e um desserviço à ciência psicológica. É inaceitável, contudo, que, acoitados em leis ou resoluções, se puna com a “fogueira” aquele psicólogo que movido pela sinceridade e integridade, aceite receber quem queira seguir um caminho diferente em sua sexualidade (que não homo) e busque neste profissional, exatamente porque tem conhecimento e capacitação técnica, respeito da sociedade e um lugar na ciência do cuidado humano não a resposta, mas o preparo para ajudar. A procura e a escolha é de quem busca, o psicólogo é apenas um paidagogos.

* Psicólogo

domingo, 4 de março de 2012

Entre o periculum in mora e o fumus bonis iuris


Marta, que afirma gostar de sexo, deu o fora em seu amante porque descobriu que ele também está saindo com Jamile. Revoltada, ela devolveu até o iPhone que havia ganho de presente. Esse enredo de novela foi acompanhado pelos leitores do "Diário Oficial" do Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região, com sede na Paraíba, que publicou por engano uma carta picante escrita por uma servidora em espaço que deveria trazer o resultado de ação que corre na 2ª Vara do Trabalho de João Pessoa.

Fonte: Jean-Philip Struck DE SÃO PAULO (Folha, 29/02/2012)

Desde que se entendeu por gente, Maravilhina tinha fascinação pelo mundo do Direito. Não saberia explicar se lhe perguntassem a razão daquele encantamento. Achava tudo tão nobre, fastuoso (não que ela usasse tal palavra). Um dia, pensava, pertenceria àquela realidade, seria alguém. Acreditava que “ser alguém”, no seu caso, era trabalhar, fosse como fosse, num tribunal.
Há cerca de oito meses uma oportunidade surgiu. Bem, não foi bem surgida. Um pedido de seu padrinho de batismo a um político que tinha um chegado no tribunal, que por sua vez era parente (distante) do presidente da casa. Maravilhina estava como que no céu. Tudo era novidade e espanto. Olhava aqueles homens de toga, os debates, os data venias, os rapapés e quase não se continha. Se passava um rapaz que considerasse mais apessoado, suspirava. Pegou-se dizendo de si para si: ainda caso com um danado desses.
A vida dá voltas e seguia seu curso. Maravilhina se sentia a própria. Dizia para todo mundo que trabalhava no tribunal e era, agora, importante. Seu trabalho consistia em carregar processo para cima e para baixo. Isso lhe deu liberdade e, rápido, conheceu cada canto e recanto do lugar. Sabia da vida de todo mundo. Quem estava com quem, quem traiu quem. Aprendeu as gírias e a subcultura que nasce quase espontânea na grande massa de técnicos, secretárias, advogados de porta de cadeia, servidores das toneladas de cafezinho, higienizadores.
Maravilhina era articulada e falante. Quem a visse caminhando pelos corredores, até pensaria que era grande coisa. Para sua indizível alegria foi chamada de “doutora” por alguns desavisados que queriam informações. Nenhuma vez negou que não fosse. Nessas andanças, conheceu um sujeitinho empoado lá para bandas da ala das varas criminais. Gostou do tal. Ela só namoraria alguém de seu meio, sabe como é, namorar um do bairro lhe queimaria o filme. Ela acreditou que ele fosse auxiliar plenipotenciário do juiz. E dizia tanta palavra em latim, o patife, que ela, mesmo sem entender nada, adorava.
Trocavam emails  de amor o dia todo, coisa que Maravilhina achava a maior tecnologia do mundo. Maravilhina, com vossa pessoa tenho o Animus manendi (intenção de permanecer) a vida toda, dizia o salafra. Vou subir muito aqui, ad futurum (para o futuro). Meu Curriculum vitae está nas mãos de gente grande.
O love ia de vento em popa até que Maravilhina ouviu de uma de suas colegas que doutorzinho andava enrabichado com umazinha da vara do trabalho. Maravilhina se achava moderna, mas não estes modernismos de swing. Partiu para tirar satisfações com aquele que já se tornava persona non grata para ela. Ele negou até a raiz do cabelo. Aquela potoca era res nullius (coisa de ninguém), que não conhecia qualquer pessoa na vara do trabalho, lugar por onde nem passava.
A briga acalmou, mas Maravilhina ficou lá com pulgas atrás da orelha. Aquele era um ladino, toda desconfiança seria pouca. Colocou sua rede de contatos para vigiar o réu. Óbvio, rapidamente se sabia por pessoa certa, que em lugar sabido e hora aprazada, o meliante se encontrava com a tal persona. Maravilhina não conseguiu dar um flagrante delito, até propôs uma acareação, mas também o outro escapuliu. Mandou um email.
Estava tudo acabado. O amor era quente e ela era arretada, gostava mesmo de sexo e do pegamento, era quase uma biscaia, mas só ela e ele, nada de sexo a três. Não sabia quem era a outra, pois se soubesse haveria uma cena de crime no cruzamento do corredor entre a vara do trabalho e a vara criminal. Devolvia os presentinhos que não queria lembrança daquele cachorro e ad cautelam (por cautela) terminava tudo antes que se machucasse mais.
Por razões que só a tecnologia explica, o tal email, que continha coisas ainda mais picantes, falava de partes pudendas por apelidos, citava maneiras e lugares onde se deram suas voluptuosidades, foi parar entre o material que seria publicado no Diário Oficial. E assim, foi tornado público um desses amorzinhos ordinários com todos os seus dramas passionais.
Investigação foi instaurada, sangue deveria jorrar, alguém pagaria. Maravilhina foi achada e demitida. Decepcionada, mas amolando a faca da vingança, vai botar o tribunal abaixo com outros emails sobre a vida e sujidades de metade daquela gente. Descobriu a falha que faz com qualquer email seja publicado no DO.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

The Help (A Resposta)


Um filme indicado ao Oscar algum mérito tem. Claro que algumas safras são tão fracas que a Academia tem que se contentar com a mediocridade reinante. A lista deste ano, como em todos os outros, tem bons filmes e alguns que apenas preencherão a lista. Claro, ganharão alguns trocados a mais com a propaganda de terem sido indicados ao Oscar.
Entre os indicados, além do maravilhoso “Árvore da Vida” (já falei dele neste blog), vi “Os Descendentes” que é apenas razoável, mas como a Academia não descansará enquanto não der um Oscar para o George Clooney, paciência. Assisti também “Meia Noite em Paris”. O velho (no bom sentido) Woody Alen continua vivíssimo, embora este seu filme não seja tão bom comparado, por exemplo, a “Tudo Pode dar certo”, “Match point”, “O sonho de Cassandra”, para citar obras mais recentes.
Porém – com o Woody, há sempre um porém – achei muito interessante o roteiro. Aliás, concorreu ao Oscar nesta categoria e... ganhou. A história trabalha com a fantasia que às vezes criamos acreditando que tempos passados outros eram melhores que os que estamos. Idealizamos a mesma natureza humana que no presente deploramos, quando, de fato, a carne e a alma são os mesmos e seus males também a despeito do tempo e do verniz que tenham.
Os demais filmes, pelo atraso das duas cadeias de cinema instaladas em São Luís – Box Cinemas e CineSystem – que só pensam em ganhar uns trocados com a massa da classe C emergente, que só quer ver os arrasa-quarteirões sem nada para pensar e ainda por cima dublados-, enfim, ainda não passaram por aqui.
Mas eis que entre os Vovós Zona 3, 4, mil, apareceu na grade The Help (2011) – aqui se traduziu o título por “Histórias Cruzadas”. Acredite, nada está mais longe do filme, pois empobrece a riqueza da narrativa. Fosse “A Resposta”, tradução literal, se faria justiça à história. Um dia cada qual receberá a resposta, pelo bem ou pelo mal feito. Isso é justiça. Mas não está escrita nos cânones do Direito.
No Mississipi do início dos anos 60, o estado mais segregado dos EUA, as questões dos direitos civis dos negros eram simplesmente ignoradas. Os negros trabalhavam em atividades subalternas, ganhavam salários de fome, estavam empobrecidos, humilhados e submetidos a uma situação de penúria da qual era muito difícil se libertar. Seu mundo era um simulacro dos brancos.
Este é o quadro que serve como pano de fundo à história do filme. Um filme feminino. Não sei se houve a intenção de mostrar como o racismo ou qualquer mazela que diminua um ser humano, para além da violência física, pode ser tão aterrador e doloroso quanto aquela. Os homens, neste filme, são meros coadjuvantes. O enfoque está no mundo das mulheres, brancas e negras. As primeiras se dedicam à futilidade, fofocas, parir e cuidar de suas casas e seus homens. As outras realizam todas as tarefas domésticas, ainda cuidam de suas casas e famílias, pois aí também são oprimidas por seus maridos. A grande função delas, porém: maternam, cuidam, ensinam, orientam os filhos das mulheres brancas em seus primeiros anos de vida.
Eis a grande ironia. Aquelas que eram desprezadas, submissas, gestam a geração futura de seus opressores. Elas inculcam nas crianças brancas valores morais e religiosos. Dão educação e ensinam autocuidados. As vezes, no futuro, eles se tornarão seus patrões e as tratarão como os pais ou com distanciamento, negando o amor que aprenderam.
Neste mundo de indiferença, pequenas e constantes crueldades – não em todas as casas – se desenrola a trama. Skeeter (Emma Stone), uma destas garotas que foi cuidada por uma negra, mas que a amava, volta da cidade grande formada em jornalismo e quer ser escritora. Seu drama pessoal é que em sua própria casa não encontra mais sua mãe negra. Fato que está envolto em uma bruma de silêncio de sua mãe. Por outro lado, ao ser inserida na sociedade local, entre coquetéis e as alcoviteirices das damas brancas – estas tem um só destino: casar e ter filhos, o que não deixa de ser sua miséria – conhece Aibeleen (Viola Davis). Nasce uma amizade. Aibeleen desconfia do interesse da moça branca que quer por que quer que conte histórias das famílias brancas com as quais trabalhou.
Destaque-se a participação incrível de Octavia Spencer como Minny (ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante) que dá o tom cômico à história. Escrever histórias de brancos, expô-los, na perspectiva de empregadas negras é o fim. Assim, com esta aventura a que elas se lançam, o tema da segregação é revisitado. É uma maneira de falar das diferenças impostas entre pessoas do mundo inteiro em todos os tempos. A coragem só medra quando o medo fustiga e as empregadas conhecem o medo. Sussuram seu nome, se calam, não ousam, estão aprisionadas.
Um elo nasce entre estas mulheres. Admiração, afeto, solidariedade vão cimentando laços onde havia distância e desconfiança. Quando um se desarma, ante a mão estendida do outro, pode haver contato, pode um se irmanar e não haverá cor ou sexo, apenas seres humanos em encontro.  
O projeto do livro vai, aos poucos, nascendo. Outras histórias se somam às de Minny e Aibeleen e a da própria Skeeter. A verdade é exposta. Um sopro de vida revivesce as contadoras de histórias dando-lhes um lugar que nunca tiveram, a de protagonistas. A verdade, diz o Evangelho, liberta.
The Help não ganhou o Oscar de melhor filme, mas tem uma mensagem que não deve calar jamais. Filmes como esse traduzem o significado da democracia, da liberdade em seu sentido mais pleno e da justiça, trio que todos os dias é aviltado nos confins do mundo e aqui do lado, até entre você e seu vizinho.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O OMNI


Um objeto metálico não identificado provocou um alvoroço nesta quarta-feira de Cinzas em duas cidades de pouco mais de 10 mil habitantes no interior do Maranhão. Moradores de Anapurus e de Mata Roma afirmam que o globo caiu do céu.

Fonte: G1, São Paulo (Rosanne D'Agostino - 23/02/2012 18h33)

A notícia se alastrou rápido que nem fogo em capim seco. Raimundo Ribamar, de repente, viu-se diante da sorte grande. Isto em plena quarta-feira de cinzas, quando ainda descansava merecidamente da esbórnia. Este ano saiu em quatro blocos de sujos com a fantasia de quebradeira de côco, sem o machado, por suposto. Chamou-se de Maria Côcoaçu e, fosse numa grande capital, seria destaque em trio elétrico, Galo da Madrugada e em qualquer banda de axé. Mas em Anapurus, restava a resignação de ser rainha em seu torrão.
RR, que não é o Soares, sabe-se especial desde sempre. Assim que, com esta empáfia, não dá um prego e com artes manipulatórias precisas, traz a companheira a cabresto, trabalhando feito uma Bertoleza para que ele ande sempre de unhas feitas, camisa e calças gomadas e impecáveis. Isso sem falar nos cabelos encaracolados que já rareiam, mas que ele traz assentados e escorridos por artes de espichamentos caseiros. A mulher acredita piamente quando ele diz que não nasceu para esta vida pequena do interior, pois nasceu para grandes coisas.
Um estrondo gigantesco abalou não só os ouvidos a léguas de distância, como o chão tremeu também. Justo em sua propriedade de algumas parcas linhas, caiu por sobre a rede de RR um OMNI, isto depois de passar raspando o telhado de palha, chegando a deixá-lo chamuscado. RR despencou da rede, tamanho o susto. Ali, a dois metros, no fundo de um buraco, jazia fumegando o OMNI. Os cinco filhos saíram em desabalada carreira e ele, estatelado, arrumava as ideias tentando se achar.
Receoso, aproximou-se daquilo que parecia um botijão redondo, uma bola, bóia ou seja lá o que fosse. Claro estava que aquilo caiu do céu. Mas de onde meu Deus? Escarafunchava o juízo. Ora, aquilo era um OMNI, um aviso do céu, um sinal do fim do mundo, quem sabe? Cabia qualquer coisa e ele tinha que ganhar algo com isso.
Nem bem arrumou-se e já havia uma queira de gente fuçando em seu quintal. Um pouco mais adiante, seu vizinho, igualmente malandro, já colocara uma corda de embira para delimitar a área a ser preservada, dizia. Uns outros já atuavam como flanelinhas. Dona Quartelina, beata desajuizada, liderava ladainhas pelo lado de fora pedindo as misericórdias celestiais porque aquela, afirmava, foi a verdadeira queda do Capiroto na terra. Isso por um lado, por outro ameaçava os curiosos com a perdição eterna. E de longe, já se ouvia a sirene da polícia que fora chamada por algum intrometido ou ouvira o estrondo também.
RR estava arrodeado de ameaças à sua sorte. Havia que tomar medidas enérgicas e rápido. Fustigou dona Quartelina com seus seguidores, deu um chega pra lá no vizinho oportunista e começou a botar ordem na bagunça porque, a estas alturas, havia gente de meio mundo ao redor. Chamou a atenção do público. Pessoal, isto que vocês veem em minha propriedade é um OMNI. Os ignorantes pensam ser outra coisa. O fim do mundo virá, porque dentro da bola, algo falou comigo, aqui, dentro de minha cabeça. A bola é oca, mas tem energia, olha como está quente. O povo, alvoroçado, calou-se, mas permanecia mais inquieto ante o que falava RR. Ele, como um novo profeta, pregava sua visão: afinal, fora escolhido pelos deuses. O OMNI não caíra ali por acaso, mas por arte divina.
Vamos afastar um pouco, porque de dentro desta coisa de metal, deste OMNI, sai um poder que pode derreter o tino de qualquer um que não esteja preparado. Sua mulher, que chegara da roça, ajoelhou-se em frente do marido, no que foi seguida por um monte de gente. Aquilo lhe deixou que não cabia em si. A sirene da polícia tocava mais perto. Ao longe, uns debochados questionavam o profeta do OMNI. Todo profeta que se preza tem que ter uns incréus para lhe descrer a mensagem.
Por fim, chegou a polícia. Sg. Pereirão e seus dois meganhas. Suspendeu as calças para dar um ar de ordem e respeito e foi logo dizendo que todos se afastassem que ele viera a mando do comando central proteger o OMNI. RR protestou, mas foi logo empurrado pelos dois meganhas. Os novos crentes gritaram que o OMNI era de sua nova revelação. RR disse que era dele, pois caíra em seu quintal e ele fora escolhido. Pereirão não quis saber e, carregado de sua ignorância bruta de incréu, ordenou que alguns dos novos crentes retirassem o OMNI do buraco e colocassem na carroceria da viatura. Seria levada para a delegacia para averiguações e espera de novas ordens do comando. RR, desolado, sozinho, viu seu OMNI partir sacolejando de forma vil na carroceria, enquanto um meganha apoiava um pé, displicente, no objeto sagrado.

PS. Então vocês passaram o texto inteiro se perguntando o que seria o tal OMNI? Sim ou não? Adivinharam? Perguntei ao RR. Objeto Metálico Não Identificado.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Dasdô tem samba no pé


Dasdô sempre sonhara em ser destaque num daqueles carros alegóricos cheios de brilho, cores e o baticum explodindo como se fosse um foguete na decolagem. Ia aos ensaios de várias escolas e lá enquanto sambava, imaginava tudo aquilo que era apenas sonho. Tinha samba no pé, nascera sambando, por bem dizer, não fazia de conta como aquelas ultragostosas que fingem sambar, mas na verdade só mostram as toneladas de silicone sacolejantes montadas nas partes mais improváveis.
Este é o problema: a mulher gostosa de hoje é uma criatura fabricada, esculpida a cirurgias e musculação bruta como quem treina para ganhar a vida desatolando caminhão. A coisa começa no implante de cabelo e vai até as unhas postiças do pé. No final das contas, não se tem uma mulher de verdade, tem-se algo próximo de uma boneca inflável torneada e com vida própria tanto é o plástico instalado.
Dasdô estava longe disso. Era pobre de marré e não consta que montar uma mulher gostosa padrão seja algo barato. Não sabiam? O negócio funciona como quem compra um carro. O modelo básico inclui peitos de baixa siliconagem, um botox no entre sobrancelha e pronto. Daí para diante o céu é o limite com os acessórios que se podem colocar. Mas, colocado tudo em quanto, se a dita ainda tiver alguns trocados – não poucos trocados, aviso, hein – pode-se tunar a mulher.
Explico o tunar para os menos desavisados. Aportuguesou-se o termo inglês tuning que, segundo o tradutor do Google, significa afinação, sintonização, ato de afinar. Bom, os carros ficam mais exagerados, coloridos, motores potentes e não sei onde está a afinação disso. As mulheres tunadas ganham coxas descomunais, peitos duros como pedra, nem me perguntem das bundas que são alguma coisa para lá de extravagante. Saltam do nada como se fossem airbags para acidente de avião. As passarelas do samba este ano estarão cheias de bundas maiores que as ancas da mula preta, aquela que tinha sete palmos de altura da antiga  música sertaneja. Não lembram e nem conhecem, não é? Pois que procurem na internete, bando de ignorantes.
Faço uma pequena explicação. Uso o termo “gostosa” porque me falta criatividade para outra coisa. Mas este tipo de mulher é mais para ver do que usar. Sim, porque toda aquela coisa de suavidade e delicadeza, maciez e curvas vão para as cucuias e o que se tem é algo como um cruzamento do Schwarzenegger com o Rambo.
Desandei a falar das mulheres artificiais e esqueci a pobre Dasdô. Ela é uma mulher fornida e em outros tempos teria lá seus atrativos, apesar de seu olhar estrábico com pouquíssimo charme – há quem goste de um estrabismo, gente! Também sobe morro, desce morro, mesmo que não carregue a lata d’água na cabeça, tinha que dar em alguma coisa. É uma mulher carnuda e ainda que as modelos plus size estejam na moda, Dasdô ainda não se encaixa neste tipo porque lhe falta, digamos, um pouco de graça.
Este ano a coisa foi mais cruel porque estava escalada para ser a destaque das Feias Como Quê em São Luís, mas uma ainda mais feia a desqualificou. Quer dizer, Dasdô perdeu para um estrupício pior do que ela na única vez em que valia a pena sê-lo. De qualquer modo, resolveu sair num desses blocos de homens vestidos de mulher. Pois eis que já no primeiro desfile, Dasdô arrazou com seu modelito que, na prática era usar quase nada. Uma purpurina, dois pitós grandes com fitas vermelhas e um batom em seu beiço avantajado que nem a mais gorda injeção de colágeno é capaz de fazer.
Dasdô, para atrair, teve que se fingir de homem que se veste de mulher. Uma ironia porque em tempo de ministras lésbicas  e abortistas profissionais ela, sem esforço ou ideologia, conseguiu ser azarada por muita baratinha que, claro, a confundiram com um robusto ajudante de pedreiro ou estivador mais afortunado que pode no carnaval ser tudo que quiser e ainda por cima aparentar ser promessa para alguma coisa.