segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Elefante papagaio


Um elefante da Coreia do Sul tem surpreendido os visitantes do Everland Zoo por conseguir imitar a fala humana. O animal diz palavras em coreano que são facilmente compreendidas por quem entende a língua. Para tornar o fenômeno ainda mais incomum, Koshik vocaliza com a tromba em sua boca.

Fonte: Globo Ciência 1/11/2012

         Papagaios, periquitos, corvos, cacatuas e até araras, falam. Isso todo mundo sabe. Então, foi uma surpresa “descobrir” que um elefante falava. Coreano, mais precisamente. Não seria inglês, coisa que qualquer um hoje fala. Português, com sua sonorização melódica. Não, meus caros, o bicharoco fala uma língua gutural, cheia de nuances que basta uma pequena mudança de entonação e o sentido muda radicalmente. É como a piada do fanho.
        Vá lá que a eloquência de Koshik não seja das melhores. Diz cinco palavras, que se sabe. Mas, dizem, tem discurso escrito e treina atualmente para entrar na política. Aqui no Brasil. Pois na Coreia políticos que pisam na bola costumam cair em tal desgraça que alguns, por vergonha extrema, se suicidam. Não senhoras e senhores, o costume ainda não pegou por aqui e, pelo visto, nem com o mensalão pegará.
        Dr. Doolitle 1 e 2 já sabia que os bichos são uns faladores. Mais recentemente, “O Zelador Animal”, outro filme babaca, um sujeito conversa com os animais para resolver suas pendengas de vida chifrins. Neste caso, o bobão precisa de conselhos amorosos e, compadecidos por tamanha antice, os animais resolvem dar-lhe umas boas dicas de como reconquistar a menina, coisa que só fizeram por que ele lhes tratava bem. Antes deste lançaram os horrorosos “Alvin e os esquilos” 1,  2 e, arre égua, 3. Mas eles ameaçam seguir indefinidamente. Não é pelos esquilos falarem, a música destes e a atuação dos atores humanos é que é uma lástima.
        Estudiosos desacreditados afirmam desde sempre o que você suspeitava e mais que isso, tinha certeza. Afinal, horas e horas conversando com seu cachorro nunca foi novidade. Especialmente – parafraseando Drummond – naqueles dias em que talvez pelo efeito da lua, solidão, o conhaque tenha lhe deixado comovido como o diabo.
        Você se acha anormal porque conversa com seu gato ou cachorro? Duvido. Não vale incluir aquela sua tia solteirona que sempre conversou com suas samambaias e ainda dizia que o segredo do viço das plantinhas eram as horas dedicadas a conversas só para saber da vida. Claro que as plantas tinham muito a dizer, defendia ela. Ou você acha que só quem tem neurose é você? Desafiava a tia. Mas fora alguns experimentos esquisitos em que as plantas emitem um zumbido contínuo, ainda não se provou fala nenhuma, daí que sua tia pode estar simplesmente alucinando. Mas nada perturbador. Botemos na conta da excentricidade.
        A literatura e o cinema sempre usaram o recurso da fala nos animais porque desde que o mundo é mundo os bichos falam, sim, senhor e senhora! Ninguém viu nem notou, mas um desenho perturbador – “O Segredo dos Animais” – revela o que o George Orwell, em “A Revolução dos Bichos” tirava o véu de mistério. O primeiro inspirou-se, certamente, no segundo. Com a diferença clássica, os porcos comunistas orwellianos são, no Brasil, petistas. A metamorfose se explica por si só. Eles chegaram ao poder. Logo, tucanos ou quaisquer outros animais politizados se transformam em porcos arrogantes, gulosos, cínicos e indiferentes. Bom mesmo só o bacon e as costelinhas fritas... deles, por suposto.
        Voltando ao vocabulário de Koshik. O que alguém faz com apenas: olá, sente-se, não, deite-se e bom? Imagine você reduzido a isto? Curiosamente, o pobre paquiderme só fala aquilo que faz parte do circo em que trabalha por um pouco de palha. Não sei se ele troca a ordem das palavras. Quero dizer, emprega na hora errada. Quer comer Koshik? Olá. Tá apertado? Bom. Mas a descoberta não revela que o elefante seja burro. É só monoglota pentavocabular.  A expressão não existe, inventei.
        Não nos esqueçamos do grilo falante. É um sábio! Dá conselhos incríveis ao Pinóquio cabeça de pau, ainda por cima mentiroso. Sugiro, inclusive, que o grilo se torne figura arquetípica do mundo falante animal.
        Não sei vocês, mas prefiro, muitas vezes, a fala animal  do que de certas pessoas. Lembraram daquele(a) amigo(a) chato(a) que não para de falar um único minuto, não é? Tem gente compulsiva, quando se trata de falar. Metralhadoras. Falam assim sem pensar e porque não querem pensar.
Vão contando uma história após outra, todas banais. Ou simplesmente são narcisistas ao extremo e só eles tem o que dizer. Você é só plateia. E se indignam se você, abusado e zonzo de tanto lero-lero, vira a cabeça distraído. E você ali, esperando o infeliz respirar para cortar a conversa e ele: patati, patatá, blá-blá-blá. Ô gente de fôlego comprido! Será que já tentaram mergulho em apnéia? Tenho certeza que ganhariam o campeonato mundial fácil.

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