segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Loves in the air


Uma mutação genética aguça o desejo sexual em camundongos fêmeas e provoca comportamentos agressivos, como a mutilação do órgão genital de machos, aponta estudo elaborado por cientistas da Universidade de Genebra e divulgado na última edição da revista "Current Biology".

Fonte: G1 (Da EFE – 05/10/2012)

Há coisas muito difíceis de explicar. E nós somos peritos em complicar ou inventar chifre na cabeça de cavalo, como dizia minha avó. Recordo que alguém sugeriu que aquele charutão que Freud carregava na boca e enfeita muitas de suas fotos, seria um símbolo fálico ou sugeria alguma tendência inconfessável. Sua resposta, imagino em tom grave, arrematou: às vezes, um charuto é só um charuto.
Comecei torto, vá lá. O que Freud faz neste texto? Nada. Lembrei assim, meio que por acaso, deste episódio. Muitas descobertas da ciência, dizem, foram aos tropeções. O cara ia para um rumo, errou, tropeçou, descobriu, simples assim. Logo, uma camundonga com um gene alterado – o cientista disse que era para estudar genética – desenvolveu uma tara descoberta por acidente. No cio, ela tornou-se uma serial killer de pênis... de ratos, por suposto.  Já estavam se encolhendo aí, não é não?
Uma sopa de letrinhas descreve o tal grupo de genes alterados na rata que, pasmem, homens, tem correspondente no gênero humano feminino. O cientista fez questão de dizer que não há qualquer reação similar em mulheres, como direi, nos momentos em que estão a fim. O mesmo cientista, contudo, recusou-se terminantemente a dar garantias. Que precisavam de mais estudos, disse, lacônico.
O espanto, dizem os estudiosos, é porque se imaginava que genes HoxD não tinham qualquer função no cérebro. Estou confuso, mas não exporei minha ignorância. Os caras alteram um gene e a rata se torna uma louca tarada. No que isso ajuda a humanidade? Deixa pra lá. Certamente é um desastre para os ratos machos. Ouvi dizer que a liga dos ratos machos já se movimenta para ir à ONU. Sei lá o que vão fazer.
O fato é que havia um baita mistério no laboratório. Pela manhã, em várias gaiolas, jaziam não mortos, mas quase, pobres machos camundongos castrados, emasculados de sua virilidade camundonguística. As fêmeas, com ar blasé, se espreguiçavam em algum canto ou bocejavam, inertes ao sofrimento de seu par. O vigia alegou que ouviu guinchos horríveis durante a noite. Fora acordado pelo barulho. Depois teve que remendar a fala. Que não acordou, apenas teve a atenção atraída ou despertada para o que julgou ser alguma rave da rataiada.
Câmeras de gravação noturna revelaram as culpadas. Cruéis, sanguinárias, sedentas por sexo, elas atacavam impiedosamente os pobres machos que, mesmo depois de horas satisfazendo às ninfomaníacas foram simplesmente atacados a dentadas. O mais revelador. Passado o cio, elas voltavam a ser boas ratas donas de casa, digo, gaiolas. Dedicadas e amorosas. Era a própria encenação de Dr. Jekill e Mr. Hide.
Soube-se depois que uma revista especializada em escândalos afirmava que o apresentador Ratinho sofrera um ataque de sua rata, digo, mulher. O  próprio gastou um programa inteiro, com a delicadeza que lhe é peculiar, a desmentir e ameaçar com processos a tal revista. Mas o desmentido pareceu exagerado, então achou-se que havia algo de estranho mesmo. Pura maldade.
Verdade mesmo é que as meninas da Femem, suas colegas vadias.com e outras duas agremiações neofeministas estão umas araras. Já, já mostrarão os peitos contra o que julgam ser uma sórdida campanha machista difamatória da feminilidade. Ainda que seja das ratas. De fato, uma das líderes afirmou que se sente constrangida e pessoalmente atingida, pois sua companheira jamais terá qualquer razão para se queixar de tamanha ignomínia. Se os homens, os ratos, digo, sofreram estes supostos ataques – elas fazem questão de enfatizar a palavra suposto – é porque são uns porcos chauvinistas. Ratos-porcos? Estou confuso.
Em plena campanha eleitoral, sugeriu-se que políticos ruins deveriam ser castrados também. Não bastava barrá-los com a ficha suja. Iniciou-se a coleta de assinaturas em várias cidades do país com o objetivo de apresentar um projeto de lei. Não se pedia a capação propriamente dita, era apenas um apelido mais radical para uma lei que pedia castração política para aqueles que não derem conta do recado.

sábado, 29 de setembro de 2012

O coma da juventude


Uma mulher que perdeu a memória após o rompimento de um aneurisma cerebral está reaprendendo a amar seus filhos e marido. Sarah Thomson, de Exeter, no Reino Unido, teve um coágulo de sangue no cérebro, que estourou em novembro do ano passado e a fez passar dez dias em coma em um hospital. Ao acordar, ela, que tem 32 anos, estava convencida de que ainda era uma adolescente de 19 e estava em 1998!
Segundo informações do “Daily Mail”, o coma eliminou 14 anos da vida da mulher, que não fazia ideia de já ter se casado com Chris, de 34 anos, e ter três filhos: Michael, 14, Daniel, 5, e Amy, 4 anos. 

Fonte: Site Virgula UOL (26/09/2012)      

        Confesse. Quantas vezes você quis estar no lugar desta mulher? Sim, tem um aneurisma no caminho. Mas, fazer as sobrancelhas tem um custo de dor. Retirar aqueles pelinhos incômodos no buço ou noutros lugares menos mostráveis e visíveis tem seu preço em repuxões e ardores, que queimam como se fossem ferro em brasa. E compensa, ou não? Nem se fale nos pós-operatórios de lipos e toda sorte de embelezamentos que custam os olhos da cara e dias e dias no estaleiro.
        Agora, imagine se o AVC da inglesa virasse uma “terapia” tão segura como os emagrecedores milagrosos vendidos pela internete e em canais pagos? Simples, minha senhora, a gente provoca um pequeno derrame no local onde a senhora armazena as memórias e voilá, benefícios incalculáveis que só um bom esquecimento pode trazer. Lembra aquele namorado bonitão, mas galinha, que lhe traiu vezes incontáveis e por quem você era arriada de morte? Bem, a senhora não lembra mais. Nem da raiva.
        A inglesa viraria garota propaganda. Seria uma versão radical daquela mocinha do comercial dos anos setenta do xampu Colorama. Ela, em destaque entre outras, perguntava: “Ei, ei, você se lembra da minha voz? Continua a mesma. Mas os meus cabelos...” A inglesa diria que nem mesmo se lembrava mais quem era, mas tinha certeza, estava em 1998. Fechando o quadro, o dono do negócio diria: podemos apagar quantos anos a senhora quiser. A senhora escolhe o período que quer apagar. Entregue suas más lembranças para nós, sabemos o que fazer com elas.  Como bom vendedor e em particular, advertiria que o que tivesse de bom naquele período também seria deletado.
        Se alguém perguntasse por um backup das memórias, o sujeito vendedor diria que estaria desenvolvendo uma nova tecnologia de armazenagem que o cliente levaria para casa num pen drive assim de pequenininho. Caso quisesse, poderia dar uma olhada para remendar um pedaço de história que lhe fosse conveniente. Sempre haveria o risco de voltarem todas as lembranças e, por evidente, a necessidade de novo aneurisma terapêutico. Por módica quantia, por suposto. Claro, o vendedor minimizaria todo risco. Por exemplo. Ele jamais diria: há o risco da senhora entrar em coma. Ou a senhora pode se tornar um vegetal que baba. E ainda: pode ser que a senhora se esqueça de um lado ou de todo o corpo que se recusará a lhe obedecer.
        Outro efeito do aneurisma terapêutico é que sem qualquer intervenção cirúrgica adicional, a cliente vai se sentir décadas mais jovem; se resolve apagar décadas. Quer dizer, a sensação de juventude será concomitante ao período do esquecimento. Bastará se olhar no espelho e ver que ali está uma jovial garotinha, pois será assim que o cérebro a fará se enxergar.  Um truque, alguém diria, mas o que é o real? Discutiriam os filósofos e psicólogos. Certamente não seria uma ilusão. Não seria uma alucinação. Para aquela que vê seria real, concluiriam.
        Haveria sempre o problema de recuperar as relações meio que borradas de pessoas importantes  no presente, mas que, devido o tempo de deleção, teriam sido apagadas substancialmente. Daí que desconhecer o namorado ou marido e filhos, seria um pequeno efeito colateral. Mas o vendedor logo diria que haveria um suporte técnico 24 horas à disposição das clientes. Obrigado por entrar em contato com nossa central de suporte de memória. Tecle 1 para esquecimento generalizado. Tecle 2 para recuperação de dados. Tecle 3 para bugs e falsas memórias. Tecle 4 para repetir o menu. Claro, você não utilizaria o suporte se o objetivo fosse esquecer estas pessoas.
                Uma pessoa que estaria disposta a pagar por este incrível serviço, deveria ser muito antenada à moda e todas as suas últimas tendências. É preciso dizer que, acordar em finais dos anos oitenta, faria você se vestir de um jeito um tanto bizarro, ainda que os modistas vivam ressuscitando coisas velhas e chamando de novas leituras. Você poderia tirar partido disso. Vender-se como alguém autêntica e que faz seu próprio caminho, quero dizer, moda. Embora ultimamente eu tenha visto muitas mulheres em legs de ginástica com meias três quarto (ou seriam meiões de jogador?) para fora em sol de 35 graus – uma coisa medonha – e sem o colorido dos anos oitenta.

Casa comigo?


Após ser detida na semana passada ao tentar invadir o Palácio do Planalto, Edmeire Celestino da Silva, 29, foi abordada novamente nesta terça-feira ao se aproximar do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência.
Fonte: Folha de São Paulo (18/09/2012)

Chamaram-na de louca. Trataram-na como uma no pior sentido possível do termo. A imagem nos jornais não ajudava, é certo. Na cara, um esgar enviesado, olhos esbugalhados. Pudera. Jogada ao chão, algemada e imobilizada por um joelho com coturno. Os seguranças, trogloditas, monstros pré-históricos, dinossauros sanguinolentos sem respeito e sem sentimento a subjugaram. E que crime cometera? Amara tresloucadamente. Quem nunca enlouqueceu de amor? Pensava ela, como que a se consolar. Era vítima do amor, isto sim. Ele não escolhe cara nem condição. Acontece, assim, sem mais.
A presidente não sabia de suas dignas e pudicas intenções, se soubesse, corresponderia. Se tão somente deixassem que ela se declarasse. Ela era delicada, sensível, reagiria positivamente à sua declaração e, quem sabe, aceitaria sua proposta de casamento. Ela seria um bom marido. Ouviria suas queixas e pesares, faria cafuné em sua cabeça, coçaria seu dedão, traria flores todas as manhãs colhidas ali mesmo, nos arredores do Torto. Seria seu protetor e guardião das hienas da base aliada.
A subida pela rampa fora impedida pelos captores de sua Dulcineia confinada presa naquela torre de mármore sujo. Enxotada como um cão sem dono, não havia mais nada a fazer por momento. Montou sua Rocinante, uma motoca de cinquenta cilindradas que despejava fumaça engolfando a Esplanada com todos os poderes. Tentou empinar o animal, cantar pneu, para mostrar coragem e fidalguia, mas todo o esforço só produziu mais fumaça fedorenta a engasgar as pobres emas que pasciam na frente do palácio-prisão.
Refugiou-se em Samambaia. Precisava de ajuda. Onde estaria seu Sancho Pança? Lembrou que precisava se declarar. Sancho saberia como fazer. Poderia ser com alguma coisa do Vinícius. Ele poetizou sobre um amor louco. Ouvira alguém dizer. Onde ele andaria? Colocou uma notícia na rádio do bairro. “Atenção, senhoras e senhores ouvintes! Busca-se desesperadamente pelo Vinícius, vulgo poetinha. Quem souber de seu paradeiro e der informação segura, será recompensado com cinquenta reais.”
Por dias o anúncio ecoou. Uma professora, curiosa, quis saber quem queria saber do Vinícius. Da rádio, uma voz pastosa e cansada perguntou se ela sabia onde o Vinícius andava. Vocês já acharam o Vinícius? Indagou a professora. Onde foi a sessão espírita? Não sabemos dele, nem quem seja. Deve estar fora do país. Vinícius morreu! Disse a professora laconicamente. Silêncio. Alô! Era a própria Edimeire na linha, ainda estupefata pela notícia. Eu queria a ajuda dele para me declarar. Dizem que ele entendia desses amores loucos. A professora, consternada, prontificou-se a ajudar.
Diga ao seu amor assim: “Maior amor nem mais estranho existe / Que o meu, que não sossega a coisa amada / E quando a sente alegre, fica triste / E se a vê descontente, dá risada.” É tiro e queda. Mas se ela resistir: “Louco amor meu, que quando toca, fere / E quando fere vibra, mas prefere / Ferir a fenecer - e vive a esmo.” E o golpe de misericórdia. “Fiel à sua lei de cada instante / Desassombrado, doido, delirante / Numa paixão de tudo e de si mesmo.”
Edimeire não cabia em si. Era um cavaleiro de Triste Figura, um lunático em missão libertadora. Voltaria ao Palácio, gritaria sua devoção àquela que lhe conquistara todos os sentidos e vida. A dulcíssima Dulcineia haveria de se comover e como não? Ela cantaria sua formosura, pois assim seus olhos a viam, ainda que andasse como um soldado e tivesse perfil de um tanque de guerra. Ela enfrentaria todos os Dragões da Independência como um super São Jorge com seu fiel alazão. Haveria ainda que lidar com uma guarda secreta de petistas chamada de guerreiros impolutos. Mas nada a deteria.
Edimeire acordou no dia que decidira libertar sua adorada senhora, soberana de seu coração encardido por tantos amores pequenos que tivera, mas agora estava liberta. Montou em Rocinante. Ao seu lado, Sancho, em espírito, lhe fazia mesuras com um copo de uísque 18 anos, seu cachorro engarrafado, enquanto cantarolava: “olha que coisa mais linda, mais cheia de graça...”

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O pecado mora ao lado


Uma londrina descobriu a traição do namorado de uma forma bem inusitada. Melissa Smeaton estava fazendo faxina na casa onde estava morando com Richard Antony, quando, de repente, o aspirador parou de funcionar. Ao levar o aparelho no técnico o homem retirou de lá uma calcinha (que não pertencia a Melissa), que bloqueava o cano sugador. Furiosa, ela não teve dúvida: o amado a estava passando para trás com outra...

Fonte: G1 (Planeta Bizarro – 02/09/2102)

O casamento havia chegado a uma espécie de impasse. Tudo era meio previsível e estavam os dois acomodados à rotina. O sexo era protocolar e espaçado e só aparecia quando os dois estavam aperreados. Cremenildo nunca fora um grande amante, reconhecia, e ficava ainda mais tímido com mulheres fortes pelas quais, estranhamente, tinha atração. Quem sabe, um édipo mal resolvido. Sua mulher era a mais macha da dupla. Despachada, prática e sem muita firula. Sua feminilidade era pouco cultivada. Dizia que não tinha tempo para estas frescuras, sem contar que estas “frescuras” custavam dinheiro, coisa que estava sempre em falta.
A vantagem destes casamentos longevos, o deles passava dos dez anos, é que um conhece o outro relativamente bem. As manias, pelo menos. Brigas acontecem, mas rareiam por que um, sabendo das idiossincrasias do outro, evita ou cutuca para dar um pouco de emoção àquela modorra infernal. Cremenildo sabia que sua mulher era sestrosa e não se importava. Cada um tem seu jeito, pensava. Mas sentia falta de um pouco de sensualidade naquela mulher, no mais, era boa companheira. Às vezes, ela até o chamava de “Creme”. Aquilo era a senha. Naquela noite eles teriam diversão. Quer dizer, algo parecido a.
Mas se uma hora qualquer ela se dirigia a ele, os lábios afinavam e a sombrancelha esquerda ficasse levemente levantada, era encrenca na certa. Se colocasse as mãos na cintura, vixe! Ele que se preparasse para duas horas, no mínimo, de ladainha. Ele aprendera a desouvir. Era uma excelente forma de se defender. Desde que ela não perguntasse alguma coisa a respeito do falatório. Uma cara de bobo e a resposta errada daria razão para mais três horas de falação. Com um ou dois dias mais de queixas de que ele nunca se  importava.
Cremenildo desenvolveu lá sua forma de satisfação onde faltava ou era precário no seu relacionamento. Tinha fetiche por calcinha. Rejeitava, porém, as calçolas que eram muito comportadas e sem graça e lembravam sua mulher com aquela postura de cobrança. Nas magazines, discretamente, costumava se perder na seção feminina pra dar uma olhada nas novidades. Tocava uma ou outra calcinha, fantasiando que havia alguém ali dentro. Era tudo muito rápido, pois ficava apavorado com a ideia de alguém pegá-lo no ato. Foi tentado várias vezes a furtar uma coisinha daquelas, mas o só pensar lhe dava taquicardia. Era boa a sensação, mas faltava coragem e se contentava com adrenalina da má intenção.
Assim vivia Cremenildo até que mudou-se para o apartamento do lado uma baita de uma morena. Descobriu por acaso, o que sua mulher já sabia há dias e até fizera uma comentário qualquer não muito lisonjeiro à nova vizinha. A tentação não havia sido despertada nele até ver a vizinha. Como a forma de vê-la era achegando-se à sacada, criou estratégias de a todo momento fazer algo ali. Até fumar tentou, o que lhe custou uma quase asfixia. Nestas andanças pela sacada, descobriu a vizinha colocando as calcinhas num pequeno varal improvisado. Ela lhe deu um sorriso e, faceira, continuou colocando as calcinhas com delicadeza. Cada qual era um mimo aos olhos de Cremenildo.
Aquilo despertou nele, diria o Roberto Jeferson, seus instintos mais primitivos de masculinidade perdida e abafada numa relação morna. Aquela mulher sabia se vestir por baixo. Já não perdia uma só estendida de calcinha. Um dia, por artes do destino, o vento jogou – ou teria sido uma mensagem da vizinha? – uma calcinha na sua sacada. Era vermelha com babadinhos e transparências estratégicas. Um sonho. Colocou no bolso. Mas o medo era tanto, que sentia os olhos cravados da mulher como se ela estivesse ali em pessoa. Aquilo virou seu tesouro. Mas onde esconderia? Todos os lugares que pensava, seu cérebro, como que descontrolado, criava uma situação em que sua mulher descobria. Ele tentava combater aquilo justificando para si mesmo com as mentiras mais escalafobéticas, mas acaba vencido. A mulher descobria.
Dias se passaram, sua tensão aumentou. Todos os esconderijos possíveis ele utilizou na casa. Nunca estava seguro. A mulher começou a notar. Dormia mal, comia pouco. Mas não havia força de livrar-se de seu prêmio. Aquilo, por bem dizer, lhe devolveu a macheza, sem contar as “viagens” de fantasia que fez com a vizinha. Mas aquilo não era taição, era? Meio que se consolava. A mulher insinuou que estava doente. Ele negou. Começou a ficar desconfiada. Sugeriu que ele escondia algo. Incrível, ela o achava tão incapaz que nunca disse que ele a traía. Aquilo lhe despertou uma raiva que até pensou fazer um nem sei que diga. Não, ele não faria.
Cansado e sem ter mais um único lugar onde esconder o presentinho dos deuses que lhe deu tanta alegria, resolveu desfazer-se dele. Aspirou a calcinha e foi trabalhar. A noite, ao chegar, deparou-se com a mulher em pé no meio da sala. A sobrancelha estava levemente levantada. Os lábios estavam sem cor e finos. Uma das mãos na cintura. O pé direito batia levemente no chão. Na outra mão, como se pegasse com nojo, a calcinha vermelha de babadinhos estava pendurada. Um frio lhe correu pela espinha. Creme, disse ela, porque você fez isso comigo? Correu e atirou-se ao seu pescoço, sôfrega e mais fêmea do que nunca.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Querem casar comigo?


A união estável "poliafetiva" lavrada no interior de São Paulo pela tabeliã Claudia do Nascimento Domingues entre um homem e duas mulheres trouxe à tona um debate que divide juristas e a sociedade. Num momento pós-união estável homossexual, já aceita pela Justiça, até onde vai o conceito de família no Brasil?
Fonte: Jefferson Puff (BBC Brasil, em São Paulo – 28/08/2012)

Cromualdo Quintanilha não é advogado. Nem tabelião. Nem capinha do tribunal mais fuleiro ele é. Considerando que hajam tribunais desta categoria. Mas entende de direito que só vendo. Bem, o direito dele, lá. É como uma espécie de frustração compensada por um interesse frequente no tema e leituras livres – põe livre nisso – dos códigos disponíveis no país. É seu hobby, por bem dizer. Se lhe der asa, discute com um ministro do supremo de igual para igual. Ele se sente igual e não há quem lhe tire isso da cabeça. Se alguém questiona essa igualdade, ele apela: ele é homem, eu também sou. Se o interlocutor redargue com um “não se trata disso, mas do conhecimento em Direito” ele dá de ombros e diz que o código que o tal lê, ele também lê, logo, a diferença é de interpretação e cada um tem direito à sua. Pronto. Acabou a discussão.
Esta semana o encontrei e ele sem qualquer saudação de cortesia, sapecou logo um “isto é um absurdo!”. Nem me refiz da expressão e ele já emendava que o país certamente colapsará com esta pouca vergonha de união poliafetiva. E olhe que o desavergonhamento chega ao ponto de etiquetarem esta tal união de “estável”. Não estaria o um traindo a uma com a outra? Só porque estão debaixo do mesmo teto e um pedaço de papel atesta a normalidade? Quer dizer que o sujeito que pegava a empregada praticava a poliafetividade e não sabia? Tanta confusão com a patroa por nada. Está redimido!
Esqueci de dizer. Cromualdo é um empertigado defensor da moral e dos bons costumes. Salva-nos de sua sanha que não é religioso, porque aí, além de enquadrar a todos nos artigos legais montados segundo sua particular visão de mundo, ainda submeteria todos os transgressores ao fogo do inferno. Você aí, por enquanto, está salvo. Mas só até ele se converter a alguma dessas coisas chamadas de igrejas neopentecostais mundiais universais do milagre divino.
Dizia. Ainda nem me refiz da defesa do Serguei de seu pansexualismo. O Renato Russo repetiu a dose. Mas o que o primeiro adorava mesmo era andar com uma camiseta dizendo: “Eu comi a Janis Joplin”. No aperreio, porém, gostava de transar com uma árvore. Não senhores, não era uma bananeira. Ele apenas tomou um ácido lá no anos 1960 e nunca retornou dessa viagem. E o segundo falava essa bobagem por não-sei-que-diga. Agora, a velha teúda e manteúda passa para dentro de casa e muda-se o nome de amásio para o pernóstico “união poliafetiva”. Com registro em cartório!!! Levanta o indicador para enfatizar sua afirmativa.
Menos mal que é uma cara com duas mulheres  e isso o meu avô e o pai dele antes, já praticavam tudo muito discreto e dentro dos conforme da proteção da família. Quer dizer, o salto de cerca contribuía para o equilíbrio da paz no lar e da sociedade, mas do jeito que a coisa vai é já que aparece um cara com uma mulher e outro cara. Um cara com dois caras. Uma mulher com dois caras... com duas mulheres. Se a gente for ver mesmo, isso não tem fim. Imagine se você faz esta tentativa usando só um hétero com todas as letrinhas da sigla da organização gay GLBBTTZXYH?
Imagine o Juquinha em seu primeiro dia na escola. Menino, quem é teu pai? O Chico e o Pedro. Como? E tua mãe menino? É a Rosita. Para disfaçar e diminuir o choque inicial a professora perguntará. Você gosta da mamãe? Ela gosta de comer milho. Como assim Juquinha? Pipoca você quis dizer? Não, é milho mesmo, minha mãe é uma cabra. É assim que as coisas andam. 
Cadê a igreja, as autoridades constituídas, os executores das leis? Onde foi parar os homens de bem? Tá bom, as mulheres também. Onde? Onde? Defendo que o casamento monogâmico e heterossexual ganhe imediatamente a proteção da WWF e do Greenpeace? Protegem animais? E daí? Se o casamento referido está em extinção, pois que se proteja com a mesma tenacidade que se protege o minhocoçu. Não faço trocadilho infame, ouviram? E aí, como é que vai ficar? Vai-se deixar agora essa baderna de mistura poli-o-diabo-que-os-carregue?

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Uma coisa é uma coisa, outra coisa...


A Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia, entidade da sociedade civil, entregou nesta quarta-feira (22), ao presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), um projeto para mudar a lei 11.343/2006, que trata do uso de drogas no país. A idéia é fixar normas mais claras para diferenciar usuários de traficantes e, dessa forma, diminuir prisões e mortes.

Fonte: G1 Maria Angélica Oliveira – Brasília (22/08/2012)

Que tal definirmos um perfil do que é um traficante e um usuário de drogas? A reunião começava com um pedido que por pouco não era uma sugestão. É muito subjetivo, atalhou alguém. O que existe de subjetivo na aparência. Acompanhe comigo. Traficante de responsa, não gerente de boca de fumo que são todos uns lascados, anda cheio de ouro, roupas de grife e tênis estalando de novo, combinando com a coleção de relógios. Olho vermelho mesmo só se for porque não dormiu bancando mais uma festinha regada a bebida cara, periguetes de tudo quanto é cor e qualidade e uns dois jogadores de futebol bebendo e posando com armas de uso exclusivo do exército, mas que estão ali só para garantir a segurança dos convidados, afinal, não se pode confiar no entorno.

E o usuário? Quis saber alguém. Ah, aqui temos que definir alguns padrões. O rico que mora nos melhores bairros, anda de carro importado com o qual faz rachas e coleciona multas de trânsito. Isso quando não tem uma ou duas mortes resultado de alguma traquinagem com um dos carrões. Mas esse não vai preso. O outro usuário, o que vai preso, anda lambungo, fedido, com ar desesperado e faz qualquer negócio por uma pedrinha. Olha, isso está muito complexo. Considerando o QI médio de um policial e ainda trabalhando sob pressão, eles vão meter os pés pelas mãos e misturar alhos com bugalhos. Vão dar umas bifas no usuário de segunda categoria, dividir bagulho com o rico e participar da festa do traficante. É muito para eles.

Então temos que decidir com que quantidade de droga alguém pode ser preso. O que, exatamente, diferencia o traficante do usuário. Um esperto participante respondeu rápido: a quantidade de droga. O coordenador da reunião elogiou pessoa tão atilada. Sim, mas quanto mais? Alguém provocou. Simples, disse o elogiado, embalado por tamanha inteligência. Aprendamos com nossos irmãos portugueses. Uma pessoa com droga suficiente para consumir por dez dias é um simples usuário, quiçá, uso recreativo. Mais que isso, é traficante na certa. Gente, isso é um primor de solução. E funciona, nobre sapiência? Ora pois, e muito bem. Pois então apliquemos o mesmo nas terras tupiniquins.

Mas havia um advogado do diabo. Sempre há. E aqueles traficantes que fazem trabalho de formiguinha para se passar por usuário? Esta pergunta é impertinente. Não existe este tipo por aqui, como não há gays no Irã, segundo afirma nosso camaradinha Mahmoud. Temos que definir a quantidade exata de pedra, baseados, gramas de pó, cartelas de ácido, comprimidos de ectasy. Alguém aí chame um matemático. Que não tenha fumado nada nos últimos quinze dias, ouviram?

Passemos às punições. Sim, porque haveremos de ser duros com esta reforma da lei que a Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia propõe. Uma pergunta. Sim? Por que raios as drogas estão misturadas à democracia no nome desta comissão? Pergunta fora de ordem. O nobre expertise não tem direito de fazer esta pergunta, mas, para que não diga que desrespeito seu direito de perguntar tirá-lo-ei de debaixo deste manto da ignorância. A democracia... Muito bem. As drogas no Brasil varonil... Enfim, dar-lhe-ei a concessão de reformular sua pergunta desde que mude a audácia de querer achincalhar nossa democracia.

Alguém tem alguma sugestão para punir os usuários? Cuidado, pois não podemos criar preconceito contra o maconheiro. Surpresa dos assistentes da reunião. Aham, desculpem. Escapuliu a palavra... Continuemos. Ah, prisão para o cocainômano não pode também. Pois que seja, sanções administrativas. Bem pensado. Obrigá-los a participar de projetos educativos. Muito bem. Mandá-los para serem exorcizados na Universal. Em uníssono um Oh! Mas então, alguém muito rapidamente emendou, nessa não que as coisas lá andam meio fracas, melhor mandar para Mundial. Isso. Ouviu-se de alguns, enquanto o coordenador ainda se recuperava de um engasgo.

domingo, 19 de agosto de 2012

Como votar (É para aprender, viu?)


Sei, sei, as eleições estão a pouco mais de um mês-luz à frente, o que nos coloca a todos na fatídica posição de suportar sorrisos falsos e algumas caras horrorosas e fotochapadas encarando-nos pelos vidros traseiros dos carros durante este looongo período. Alguns, não contentes em nos atazanar com seus sorrisos fabricados, sapecam suas fotos nas laterais dos carros também, assim não há escapatória posssível. E para aumentar a visibilidade, eles ainda contam com a tortura da velocidade média de tartaruga das ruas entupidas de carros. Mas se falo do tema tão cedo, que fazer? Eles estão espalhados pelas ruas, paredes, cantos e recantos da cidade. Nem se fale os rocambolescos carros de som martelando nossos ouvidos com melodias e letras de gosto para lá de duvidosos repetidas à exaustão.
Mas não há sofrimento que sempre dure. A vingança virá com o verdadeiro stand-up dos horrores que é o horário eleitoral. Este é o lugar da desforra do eleitor. Se se tem suficiente estômago. Não, eles não são engraçadinhos, eles são bizarros, daí arrancar-nos o riso involuntário. A maioria absoluta tem segundos para soletrar o nome de guerra – que aqui, convenhamos, é um circo à parte – e dizer uma frase qualquer com o número gigantesco de cinco dígitos que consome metade do tempo da fala telegráfica a que tem direito. Confesso que gosto mais daqueles que adotam a postura de múmia. Retesados de nervosos, quase nem conseguem reproduzir o próprio nome. A diversão fica por conta da cara amarrada com que eles dizem a piada que é a declaração de sua suposta missão se eleitos forem.
Você aí (e)leitor, antes que se aborreça, explico a razão deste texto temporão. Como escolher um candidato a vereador? Pela cara? Melhor não. Ela já começa falsa de saída. A imagem é um fake. Qual seria nossa surpresa deparar com o próprio(a) ao vivo e em cores pela rua. Isto se reconhecêssemos a figura. Pensei que as frases com as quais eles se vendem como produto podem ser uma boa pista para a (não) escolha.
Antes de tudo, ressalvo, há de ter, em algum lugar dos mais de 5500 municípios, uns raros vereadores que sabem porque foram eleitos e fazem seu papel. Mas você que é obrigado a entupir a carteira com comprovantes de votação para provar sua cidadania e dever que eles chamam de cívico, saberia dizer para que serve um(a) vereador(a)? Essa é difícil, não é? Não vale a resposta sabidinha de organização política do país, democracia, etc, etc. Tudo bem, estou enveredando por outro caminho. Voltemos à análise das frases propaganda.
O candidato que tem a palavra “jovem” na frase propaganda seria automacamente descartado. Eles costumam agregar a palavra “competente” àquela que se torna uma espécie de adjetivo. É um enrolão e analfabeto na função que deseja exercer. Nenhuma das duas palavras qualificam o lugar de vereador. Onde ele foi testado na competência? Juventude, neste campo, é sinal de... nada.
Há os que se dizem “trabalhadores”. Fazem bem. O apóstolo Paulo já ameaçava: quem não trabalha não tem direito a comer. A sugestão dos ladinos é outra, sabemos. Quer dizer que trabalhará pela comunidade no que em 100% dos casos é uma baita mentira, pois se esforçará, se o fizer, pelos seus achegados e, se muito, por alguns que considera terem lhe despejado um voto. Trabalhar, no caso, significa arrumar coisinhas, quebra-galhos de sustento, favorzinhos, jeitinhos.
Hilários mesmo são aqueles que colocam a palavra “amigo” em conjunto com qualquer outra expresão que, juntas, na maioria absoluta dos casos, não faz o menor sentido. Este é o pedinte de votos. Pedinte no sentido de medincante. Ele não tem propósito nenhum na câmara municipal. Nem sabe o que fazer quando chegar lá, apenas, como o Tiririca, não tem coragem de dizer.
Qualquer um que diga que seu retorno é repetir a dose – o que só tem sentido se você está bebendo – desconfie. Ele vai colocar “sucesso”, “trabalho”, “desenvolvimento” ou coisa parecida como complemento. Olhe para as ruas, para as escolas da cidade, para os postos de saúde, os serviços públicos de limpeza. Você vai querer esta qualidade de novo ou é melhor mudar o gerente?
Ah, mas há os que, ilusionistas, acenam com a expectativa de que, de alguma maneira inexplicável, “sua vez chegou”. Esta frase tem variantes igualmente enigmáticas. Não sabia que estávamos, nós eleitores, numa fila. Mas estamos. Ainda não nos damos bem, mas ele(a), como esta falsa oferta, quer se dar bem a custa de seu voto. Incluo neste parágrafo os que se auto alcunham de “honestos”. Sem palavras. Estes são o suprassumo da cara de pau.
Incrivelmente, a surrada palavra “povo” tem tido pouco lugar nos últimos tempos. Teria se desgastado? Os políticos querem se reciclar? Ou como a ideologia na política e promessas de igrejas neopentecostais isso não faz o menor sentido nos tempos atuais? Mas há os atrasados que ainda usam a palavrinha surrada. Não menos inocentes quando a usam, só não tem o que dizer. Os candidatos ao executivo a usam mais. Estes são um caso que precisa de análise específica. Agora, vai lá votar.