segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O pecado mora ao lado


Uma londrina descobriu a traição do namorado de uma forma bem inusitada. Melissa Smeaton estava fazendo faxina na casa onde estava morando com Richard Antony, quando, de repente, o aspirador parou de funcionar. Ao levar o aparelho no técnico o homem retirou de lá uma calcinha (que não pertencia a Melissa), que bloqueava o cano sugador. Furiosa, ela não teve dúvida: o amado a estava passando para trás com outra...

Fonte: G1 (Planeta Bizarro – 02/09/2102)

O casamento havia chegado a uma espécie de impasse. Tudo era meio previsível e estavam os dois acomodados à rotina. O sexo era protocolar e espaçado e só aparecia quando os dois estavam aperreados. Cremenildo nunca fora um grande amante, reconhecia, e ficava ainda mais tímido com mulheres fortes pelas quais, estranhamente, tinha atração. Quem sabe, um édipo mal resolvido. Sua mulher era a mais macha da dupla. Despachada, prática e sem muita firula. Sua feminilidade era pouco cultivada. Dizia que não tinha tempo para estas frescuras, sem contar que estas “frescuras” custavam dinheiro, coisa que estava sempre em falta.
A vantagem destes casamentos longevos, o deles passava dos dez anos, é que um conhece o outro relativamente bem. As manias, pelo menos. Brigas acontecem, mas rareiam por que um, sabendo das idiossincrasias do outro, evita ou cutuca para dar um pouco de emoção àquela modorra infernal. Cremenildo sabia que sua mulher era sestrosa e não se importava. Cada um tem seu jeito, pensava. Mas sentia falta de um pouco de sensualidade naquela mulher, no mais, era boa companheira. Às vezes, ela até o chamava de “Creme”. Aquilo era a senha. Naquela noite eles teriam diversão. Quer dizer, algo parecido a.
Mas se uma hora qualquer ela se dirigia a ele, os lábios afinavam e a sombrancelha esquerda ficasse levemente levantada, era encrenca na certa. Se colocasse as mãos na cintura, vixe! Ele que se preparasse para duas horas, no mínimo, de ladainha. Ele aprendera a desouvir. Era uma excelente forma de se defender. Desde que ela não perguntasse alguma coisa a respeito do falatório. Uma cara de bobo e a resposta errada daria razão para mais três horas de falação. Com um ou dois dias mais de queixas de que ele nunca se  importava.
Cremenildo desenvolveu lá sua forma de satisfação onde faltava ou era precário no seu relacionamento. Tinha fetiche por calcinha. Rejeitava, porém, as calçolas que eram muito comportadas e sem graça e lembravam sua mulher com aquela postura de cobrança. Nas magazines, discretamente, costumava se perder na seção feminina pra dar uma olhada nas novidades. Tocava uma ou outra calcinha, fantasiando que havia alguém ali dentro. Era tudo muito rápido, pois ficava apavorado com a ideia de alguém pegá-lo no ato. Foi tentado várias vezes a furtar uma coisinha daquelas, mas o só pensar lhe dava taquicardia. Era boa a sensação, mas faltava coragem e se contentava com adrenalina da má intenção.
Assim vivia Cremenildo até que mudou-se para o apartamento do lado uma baita de uma morena. Descobriu por acaso, o que sua mulher já sabia há dias e até fizera uma comentário qualquer não muito lisonjeiro à nova vizinha. A tentação não havia sido despertada nele até ver a vizinha. Como a forma de vê-la era achegando-se à sacada, criou estratégias de a todo momento fazer algo ali. Até fumar tentou, o que lhe custou uma quase asfixia. Nestas andanças pela sacada, descobriu a vizinha colocando as calcinhas num pequeno varal improvisado. Ela lhe deu um sorriso e, faceira, continuou colocando as calcinhas com delicadeza. Cada qual era um mimo aos olhos de Cremenildo.
Aquilo despertou nele, diria o Roberto Jeferson, seus instintos mais primitivos de masculinidade perdida e abafada numa relação morna. Aquela mulher sabia se vestir por baixo. Já não perdia uma só estendida de calcinha. Um dia, por artes do destino, o vento jogou – ou teria sido uma mensagem da vizinha? – uma calcinha na sua sacada. Era vermelha com babadinhos e transparências estratégicas. Um sonho. Colocou no bolso. Mas o medo era tanto, que sentia os olhos cravados da mulher como se ela estivesse ali em pessoa. Aquilo virou seu tesouro. Mas onde esconderia? Todos os lugares que pensava, seu cérebro, como que descontrolado, criava uma situação em que sua mulher descobria. Ele tentava combater aquilo justificando para si mesmo com as mentiras mais escalafobéticas, mas acaba vencido. A mulher descobria.
Dias se passaram, sua tensão aumentou. Todos os esconderijos possíveis ele utilizou na casa. Nunca estava seguro. A mulher começou a notar. Dormia mal, comia pouco. Mas não havia força de livrar-se de seu prêmio. Aquilo, por bem dizer, lhe devolveu a macheza, sem contar as “viagens” de fantasia que fez com a vizinha. Mas aquilo não era taição, era? Meio que se consolava. A mulher insinuou que estava doente. Ele negou. Começou a ficar desconfiada. Sugeriu que ele escondia algo. Incrível, ela o achava tão incapaz que nunca disse que ele a traía. Aquilo lhe despertou uma raiva que até pensou fazer um nem sei que diga. Não, ele não faria.
Cansado e sem ter mais um único lugar onde esconder o presentinho dos deuses que lhe deu tanta alegria, resolveu desfazer-se dele. Aspirou a calcinha e foi trabalhar. A noite, ao chegar, deparou-se com a mulher em pé no meio da sala. A sobrancelha estava levemente levantada. Os lábios estavam sem cor e finos. Uma das mãos na cintura. O pé direito batia levemente no chão. Na outra mão, como se pegasse com nojo, a calcinha vermelha de babadinhos estava pendurada. Um frio lhe correu pela espinha. Creme, disse ela, porque você fez isso comigo? Correu e atirou-se ao seu pescoço, sôfrega e mais fêmea do que nunca.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Querem casar comigo?


A união estável "poliafetiva" lavrada no interior de São Paulo pela tabeliã Claudia do Nascimento Domingues entre um homem e duas mulheres trouxe à tona um debate que divide juristas e a sociedade. Num momento pós-união estável homossexual, já aceita pela Justiça, até onde vai o conceito de família no Brasil?
Fonte: Jefferson Puff (BBC Brasil, em São Paulo – 28/08/2012)

Cromualdo Quintanilha não é advogado. Nem tabelião. Nem capinha do tribunal mais fuleiro ele é. Considerando que hajam tribunais desta categoria. Mas entende de direito que só vendo. Bem, o direito dele, lá. É como uma espécie de frustração compensada por um interesse frequente no tema e leituras livres – põe livre nisso – dos códigos disponíveis no país. É seu hobby, por bem dizer. Se lhe der asa, discute com um ministro do supremo de igual para igual. Ele se sente igual e não há quem lhe tire isso da cabeça. Se alguém questiona essa igualdade, ele apela: ele é homem, eu também sou. Se o interlocutor redargue com um “não se trata disso, mas do conhecimento em Direito” ele dá de ombros e diz que o código que o tal lê, ele também lê, logo, a diferença é de interpretação e cada um tem direito à sua. Pronto. Acabou a discussão.
Esta semana o encontrei e ele sem qualquer saudação de cortesia, sapecou logo um “isto é um absurdo!”. Nem me refiz da expressão e ele já emendava que o país certamente colapsará com esta pouca vergonha de união poliafetiva. E olhe que o desavergonhamento chega ao ponto de etiquetarem esta tal união de “estável”. Não estaria o um traindo a uma com a outra? Só porque estão debaixo do mesmo teto e um pedaço de papel atesta a normalidade? Quer dizer que o sujeito que pegava a empregada praticava a poliafetividade e não sabia? Tanta confusão com a patroa por nada. Está redimido!
Esqueci de dizer. Cromualdo é um empertigado defensor da moral e dos bons costumes. Salva-nos de sua sanha que não é religioso, porque aí, além de enquadrar a todos nos artigos legais montados segundo sua particular visão de mundo, ainda submeteria todos os transgressores ao fogo do inferno. Você aí, por enquanto, está salvo. Mas só até ele se converter a alguma dessas coisas chamadas de igrejas neopentecostais mundiais universais do milagre divino.
Dizia. Ainda nem me refiz da defesa do Serguei de seu pansexualismo. O Renato Russo repetiu a dose. Mas o que o primeiro adorava mesmo era andar com uma camiseta dizendo: “Eu comi a Janis Joplin”. No aperreio, porém, gostava de transar com uma árvore. Não senhores, não era uma bananeira. Ele apenas tomou um ácido lá no anos 1960 e nunca retornou dessa viagem. E o segundo falava essa bobagem por não-sei-que-diga. Agora, a velha teúda e manteúda passa para dentro de casa e muda-se o nome de amásio para o pernóstico “união poliafetiva”. Com registro em cartório!!! Levanta o indicador para enfatizar sua afirmativa.
Menos mal que é uma cara com duas mulheres  e isso o meu avô e o pai dele antes, já praticavam tudo muito discreto e dentro dos conforme da proteção da família. Quer dizer, o salto de cerca contribuía para o equilíbrio da paz no lar e da sociedade, mas do jeito que a coisa vai é já que aparece um cara com uma mulher e outro cara. Um cara com dois caras. Uma mulher com dois caras... com duas mulheres. Se a gente for ver mesmo, isso não tem fim. Imagine se você faz esta tentativa usando só um hétero com todas as letrinhas da sigla da organização gay GLBBTTZXYH?
Imagine o Juquinha em seu primeiro dia na escola. Menino, quem é teu pai? O Chico e o Pedro. Como? E tua mãe menino? É a Rosita. Para disfaçar e diminuir o choque inicial a professora perguntará. Você gosta da mamãe? Ela gosta de comer milho. Como assim Juquinha? Pipoca você quis dizer? Não, é milho mesmo, minha mãe é uma cabra. É assim que as coisas andam. 
Cadê a igreja, as autoridades constituídas, os executores das leis? Onde foi parar os homens de bem? Tá bom, as mulheres também. Onde? Onde? Defendo que o casamento monogâmico e heterossexual ganhe imediatamente a proteção da WWF e do Greenpeace? Protegem animais? E daí? Se o casamento referido está em extinção, pois que se proteja com a mesma tenacidade que se protege o minhocoçu. Não faço trocadilho infame, ouviram? E aí, como é que vai ficar? Vai-se deixar agora essa baderna de mistura poli-o-diabo-que-os-carregue?

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Uma coisa é uma coisa, outra coisa...


A Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia, entidade da sociedade civil, entregou nesta quarta-feira (22), ao presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), um projeto para mudar a lei 11.343/2006, que trata do uso de drogas no país. A idéia é fixar normas mais claras para diferenciar usuários de traficantes e, dessa forma, diminuir prisões e mortes.

Fonte: G1 Maria Angélica Oliveira – Brasília (22/08/2012)

Que tal definirmos um perfil do que é um traficante e um usuário de drogas? A reunião começava com um pedido que por pouco não era uma sugestão. É muito subjetivo, atalhou alguém. O que existe de subjetivo na aparência. Acompanhe comigo. Traficante de responsa, não gerente de boca de fumo que são todos uns lascados, anda cheio de ouro, roupas de grife e tênis estalando de novo, combinando com a coleção de relógios. Olho vermelho mesmo só se for porque não dormiu bancando mais uma festinha regada a bebida cara, periguetes de tudo quanto é cor e qualidade e uns dois jogadores de futebol bebendo e posando com armas de uso exclusivo do exército, mas que estão ali só para garantir a segurança dos convidados, afinal, não se pode confiar no entorno.

E o usuário? Quis saber alguém. Ah, aqui temos que definir alguns padrões. O rico que mora nos melhores bairros, anda de carro importado com o qual faz rachas e coleciona multas de trânsito. Isso quando não tem uma ou duas mortes resultado de alguma traquinagem com um dos carrões. Mas esse não vai preso. O outro usuário, o que vai preso, anda lambungo, fedido, com ar desesperado e faz qualquer negócio por uma pedrinha. Olha, isso está muito complexo. Considerando o QI médio de um policial e ainda trabalhando sob pressão, eles vão meter os pés pelas mãos e misturar alhos com bugalhos. Vão dar umas bifas no usuário de segunda categoria, dividir bagulho com o rico e participar da festa do traficante. É muito para eles.

Então temos que decidir com que quantidade de droga alguém pode ser preso. O que, exatamente, diferencia o traficante do usuário. Um esperto participante respondeu rápido: a quantidade de droga. O coordenador da reunião elogiou pessoa tão atilada. Sim, mas quanto mais? Alguém provocou. Simples, disse o elogiado, embalado por tamanha inteligência. Aprendamos com nossos irmãos portugueses. Uma pessoa com droga suficiente para consumir por dez dias é um simples usuário, quiçá, uso recreativo. Mais que isso, é traficante na certa. Gente, isso é um primor de solução. E funciona, nobre sapiência? Ora pois, e muito bem. Pois então apliquemos o mesmo nas terras tupiniquins.

Mas havia um advogado do diabo. Sempre há. E aqueles traficantes que fazem trabalho de formiguinha para se passar por usuário? Esta pergunta é impertinente. Não existe este tipo por aqui, como não há gays no Irã, segundo afirma nosso camaradinha Mahmoud. Temos que definir a quantidade exata de pedra, baseados, gramas de pó, cartelas de ácido, comprimidos de ectasy. Alguém aí chame um matemático. Que não tenha fumado nada nos últimos quinze dias, ouviram?

Passemos às punições. Sim, porque haveremos de ser duros com esta reforma da lei que a Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia propõe. Uma pergunta. Sim? Por que raios as drogas estão misturadas à democracia no nome desta comissão? Pergunta fora de ordem. O nobre expertise não tem direito de fazer esta pergunta, mas, para que não diga que desrespeito seu direito de perguntar tirá-lo-ei de debaixo deste manto da ignorância. A democracia... Muito bem. As drogas no Brasil varonil... Enfim, dar-lhe-ei a concessão de reformular sua pergunta desde que mude a audácia de querer achincalhar nossa democracia.

Alguém tem alguma sugestão para punir os usuários? Cuidado, pois não podemos criar preconceito contra o maconheiro. Surpresa dos assistentes da reunião. Aham, desculpem. Escapuliu a palavra... Continuemos. Ah, prisão para o cocainômano não pode também. Pois que seja, sanções administrativas. Bem pensado. Obrigá-los a participar de projetos educativos. Muito bem. Mandá-los para serem exorcizados na Universal. Em uníssono um Oh! Mas então, alguém muito rapidamente emendou, nessa não que as coisas lá andam meio fracas, melhor mandar para Mundial. Isso. Ouviu-se de alguns, enquanto o coordenador ainda se recuperava de um engasgo.

domingo, 19 de agosto de 2012

Como votar (É para aprender, viu?)


Sei, sei, as eleições estão a pouco mais de um mês-luz à frente, o que nos coloca a todos na fatídica posição de suportar sorrisos falsos e algumas caras horrorosas e fotochapadas encarando-nos pelos vidros traseiros dos carros durante este looongo período. Alguns, não contentes em nos atazanar com seus sorrisos fabricados, sapecam suas fotos nas laterais dos carros também, assim não há escapatória posssível. E para aumentar a visibilidade, eles ainda contam com a tortura da velocidade média de tartaruga das ruas entupidas de carros. Mas se falo do tema tão cedo, que fazer? Eles estão espalhados pelas ruas, paredes, cantos e recantos da cidade. Nem se fale os rocambolescos carros de som martelando nossos ouvidos com melodias e letras de gosto para lá de duvidosos repetidas à exaustão.
Mas não há sofrimento que sempre dure. A vingança virá com o verdadeiro stand-up dos horrores que é o horário eleitoral. Este é o lugar da desforra do eleitor. Se se tem suficiente estômago. Não, eles não são engraçadinhos, eles são bizarros, daí arrancar-nos o riso involuntário. A maioria absoluta tem segundos para soletrar o nome de guerra – que aqui, convenhamos, é um circo à parte – e dizer uma frase qualquer com o número gigantesco de cinco dígitos que consome metade do tempo da fala telegráfica a que tem direito. Confesso que gosto mais daqueles que adotam a postura de múmia. Retesados de nervosos, quase nem conseguem reproduzir o próprio nome. A diversão fica por conta da cara amarrada com que eles dizem a piada que é a declaração de sua suposta missão se eleitos forem.
Você aí (e)leitor, antes que se aborreça, explico a razão deste texto temporão. Como escolher um candidato a vereador? Pela cara? Melhor não. Ela já começa falsa de saída. A imagem é um fake. Qual seria nossa surpresa deparar com o próprio(a) ao vivo e em cores pela rua. Isto se reconhecêssemos a figura. Pensei que as frases com as quais eles se vendem como produto podem ser uma boa pista para a (não) escolha.
Antes de tudo, ressalvo, há de ter, em algum lugar dos mais de 5500 municípios, uns raros vereadores que sabem porque foram eleitos e fazem seu papel. Mas você que é obrigado a entupir a carteira com comprovantes de votação para provar sua cidadania e dever que eles chamam de cívico, saberia dizer para que serve um(a) vereador(a)? Essa é difícil, não é? Não vale a resposta sabidinha de organização política do país, democracia, etc, etc. Tudo bem, estou enveredando por outro caminho. Voltemos à análise das frases propaganda.
O candidato que tem a palavra “jovem” na frase propaganda seria automacamente descartado. Eles costumam agregar a palavra “competente” àquela que se torna uma espécie de adjetivo. É um enrolão e analfabeto na função que deseja exercer. Nenhuma das duas palavras qualificam o lugar de vereador. Onde ele foi testado na competência? Juventude, neste campo, é sinal de... nada.
Há os que se dizem “trabalhadores”. Fazem bem. O apóstolo Paulo já ameaçava: quem não trabalha não tem direito a comer. A sugestão dos ladinos é outra, sabemos. Quer dizer que trabalhará pela comunidade no que em 100% dos casos é uma baita mentira, pois se esforçará, se o fizer, pelos seus achegados e, se muito, por alguns que considera terem lhe despejado um voto. Trabalhar, no caso, significa arrumar coisinhas, quebra-galhos de sustento, favorzinhos, jeitinhos.
Hilários mesmo são aqueles que colocam a palavra “amigo” em conjunto com qualquer outra expresão que, juntas, na maioria absoluta dos casos, não faz o menor sentido. Este é o pedinte de votos. Pedinte no sentido de medincante. Ele não tem propósito nenhum na câmara municipal. Nem sabe o que fazer quando chegar lá, apenas, como o Tiririca, não tem coragem de dizer.
Qualquer um que diga que seu retorno é repetir a dose – o que só tem sentido se você está bebendo – desconfie. Ele vai colocar “sucesso”, “trabalho”, “desenvolvimento” ou coisa parecida como complemento. Olhe para as ruas, para as escolas da cidade, para os postos de saúde, os serviços públicos de limpeza. Você vai querer esta qualidade de novo ou é melhor mudar o gerente?
Ah, mas há os que, ilusionistas, acenam com a expectativa de que, de alguma maneira inexplicável, “sua vez chegou”. Esta frase tem variantes igualmente enigmáticas. Não sabia que estávamos, nós eleitores, numa fila. Mas estamos. Ainda não nos damos bem, mas ele(a), como esta falsa oferta, quer se dar bem a custa de seu voto. Incluo neste parágrafo os que se auto alcunham de “honestos”. Sem palavras. Estes são o suprassumo da cara de pau.
Incrivelmente, a surrada palavra “povo” tem tido pouco lugar nos últimos tempos. Teria se desgastado? Os políticos querem se reciclar? Ou como a ideologia na política e promessas de igrejas neopentecostais isso não faz o menor sentido nos tempos atuais? Mas há os atrasados que ainda usam a palavrinha surrada. Não menos inocentes quando a usam, só não tem o que dizer. Os candidatos ao executivo a usam mais. Estes são um caso que precisa de análise específica. Agora, vai lá votar.

domingo, 12 de agosto de 2012

Pai Stripper


'Paizões' conciliam carreira como strippers e rotina com filhos. Para dançarinos, profissão permite mais tempo com as crianças. Filhos lidam naturalmente com a profissão, mesmo sem entender direito.
Eles não têm uma profissão convencional, mas afirmam que o expediente noturno garante ainda mais tempo ao lado da família. Pais presentes e apaixonados por seus filhos, os fortões Antonio Garcia de Aguiar Filho e Anderson Ventura de Castro se dividem entre as tardes com as crianças e as noites com performances de strip-tease.

Fonte: G1 (11/08/2012)

História 1
Paaaai, minha amiga no facebook mandou esta foto sua só de sunga fio dental. Meu Deus, olha a pose de michê, pai. Os olhos marejados. Ela nunca mais será minha amiga, para sempre. Eu nunca mais vou à escola, pai. Ela está convidando todas as meninas para ir ver o senhor rebolando. Eu sei que ela fez uma montagem. Colocou sua cabeça num corpo qualquer. Mas a mancha na perna é igualzinha. Diz que não é você  pai, diz. O pai tentou fingir, desconversar, mas a menina estava tão ansiosa e insistente que seria difícil livrar-se de uma explicação.
Filha, com certeza isto é uma falsificação grosseira. Como é que você me vê sair de casa? Às vezes de bombeiro. Já vi sair de soldado do BOPE. De Rambo. O que você fazia vestido de Rambo? Isto foi no carnaval, minha filha. Não sei... Você já me viu sair de marinheiro também, lembra?. Então, seu pai trabalha duro, tem várias profissões para cuidar da filhinha dele. Aperta a bochecha da garota que continuou amuada e desconfiada daquela explicação.
A menina embatucou. O pai sem mais palavras. Um clima travoso no ar. Garota, você sabe quanto custa sustentar esta casa? Quer saber? Danço, sim. Requebro, também. Uso sunga fio dental que me dá uma gastura até hoje no traseiro. Você vai ter vergonha do seu pai? Eu sou muito macho... muito macho. Pronto. Falei.
História 2
Vamos amiga! O clube das mulheres é um lugar familiar. Você vai ver homens maravilhosos. É só uma fantasia, boba. A gente só finge que peca. E depois, você não pode faltar porque é a despedida de solteira da Pati. Ela vai ficar decepcionada se você não for. Não sei, Di, você sabe que sou religiosa. Aquele lugar é um antro. Que antro amiga, é um lugar onde homens dançam para nós, só isso. As mulheres tem fantasias. Não me diz que tu não tens uma fantasiazinha escondida nesta cabeça? Tu queres que eu acredite que não há um cantinho sujo nesta cabecinha cheia de rezinhas? Di, eu levo muito a sério a minha fé. Desculpa, amiga, estou brincando, é que a despedida da Pati não será a mesma se você não for. Está bem, está bem. Mas só vou ficar meia hora. Duvido tolinha, na hora que tu olhares aqueles homens incríveis, tu vai assistir ao show inteiro.
Vamos acertar uma coisa? Se você não estiver bem, a gente sai. Arnaldo nem vai saber que tu estiveste lá. Pois é, eu morro de medo do Arnaldo me ver num lugar desses. Ele é mais religioso do que eu. Onde ele está agora? Saiu pra trabalhar na obra do estádio desde cedo. Só voltará às onze da noite. Ótimo, vamos ter todo tempo do mundo.
A amiga assanhada e a outra como quem ia para a forca. O lugar era um burburinho só de risinhos quase histéricos de ansiedade. Na entrada, receberam um folheto educativo sobre o comportamento das damas no lugar. Poderiam apalpar, beliscar discretamente. Agarrar, não. Havia muitas velhinhas, muitas... Tina estava desconfortável. Bebericava água mineral e olhava para os lados. Quando a amiga tentou acalmá-la, disse que sua fantasia horrorosa era que o Arnaldo aparecia de repente e a pegava no flagra. Logo ele, que era ciumento de tudo e de todos.
A música toca como que a anunciar uma entrada triunfal de um dos strippers. O locutor, que imitava a voz do Bonner, explodiu. Atenção, lindas senhoras e senhoritas! Esta noite será sua mais incrível experiência. Solte suas feras. Solte suas fantasias. A música preparou a próxima fala. E agora com vocês, o mais sensual índio do Village People, só que muito macho. Cacique Touro Sentado! Entra um homem fantasiado que requebrava mais que lagarta na areia quente. Tina estava exatasiada e ao mesmo tempo intrigada com o show daquele homem lindo, tinha que admitir, mesmo corando. Entre um volteio e outro, o índio começa a despir-se para loucura da mulherada que assobiava, dizia palavrões e convidava o homem para dançar na sua casa. Quando o cocar penoso cai... Tina, na primeira fila, dá um berro: ARNALDO!!!! E desmaia.

Palavrão no nome


A Net trocou o nome de uma cliente de Sorocaba (SP) na fatura de cobrança. O fato poderia ser considerado um simples equívoco, não fosse um detalhe: "Katia" virou "Vadia", e isso pouco depois de ela discutir com uma atendente da empresa por telefone.

Fonte: Folha de São Paulo (Cotidiano - 02/08/2012)

Este curso, senhoras e senhores telemartiqueiros, lhes dará habilidade na resposta aos clientes enfadonhos, reclamões e que ficam com esta história de direitos. Meus serviços tem tido grande aceitação. As empresas não dizem, nem assumem, porque há de se reconhecer que com este monte de leizinhas a favor do senhor cliente todo-poderoso os serviços de atendimento ficam na berlinda e na eterna defensiva, tendo que dar explicações estapafúrdias para aquelas coisinhas que a gente tem que botar para baixo do tapete. Basta uma ligação não completar, uma cobrança a mais e pronto, chove reclamação. Querem um exemplo? Só por que a TIM derrubou quase 9 milhões de ligações para ganhar um pouquinho mais, foi uma chiadeira horrível. Afinal, quem não erra uma vezinha ou outra.
Vocês, telemartiqueiros, sofrem como condenados. Estão num permanente paredão de execução. A empresa é obrigada a pagar tratamento psicológico pelos danos emocionais sofridos. Quem aqui não está cheio de ódio dos clientes? Um monte de mão se ergueu. Acabou, nada de guardar rancor. Aqui se aprende a responder na lata e a fazer outras coisinhas. Pequenas vinganças sobre as quais já falaremos.  Enfim, as empresas estão encurraladas com tratamentos de seus pobres funcionários. Os gastos chegam a níveis estratosféricos. Mais barato enfrentar o cliente que sofrer calado, especialmente os mal educados e que a toda hora nos ameaçam com o procon. Dane-se o procon, nosso inimigo figadal.
Figa o quê? Como assim, minha filha? O senhor falou figa. A gente precisa, a nossa sorte vai mal. Uma figa ajuda. Qualquer coisa ajuda. Ô, ô, ô... Não falei nada de figa. Figadal. F-i-g-a-d-a-l. Entendeu? Deixa pra lá. Foco no principal. Estamos aqui para aprender a revidar. Olho por olho, dente por dente. A central de reclamação que se chama modernamente de central de relacionamento, é nossa praça de guerra. Bateu, levou. Vocês acham que as operadoras de telefonia vão bem por quê? Pancada no cliente. Propaganda massificada oferecendo o paraíso. Jornalistas falando bem e no bastidor, cacete.
Se formos descobertos, alguém vai à imprensa e nega o fato. Reafirma nossos princípios de respeito ao cliente. Pede desculpa, se for o caso. Importante. Afirmar que o colaborador foi sumariamente demitido. Haverá, inclusive, revisão de procedimentos e adequação. Alegar que os colaboradores são submetidos a milhares de horas de treinamento e adestrados a responder e acolher o cliente em qualquer reclamação. Blá, blá, blá...
Agora, da porta pra dentro, não é para aliviar nada. A lei de tempo de atendimento? Bobagem. Impede a enrolação e dar caldo na espera? Tolice. Ninguém fiscaliza. É fazer o danado do cliente passear por cinquenta números e trocentas opções. Dá pra deitar e rolar, é isso que vou ensinar.
Mas vamos à prática, aprendizes. Alguém tem algum exemplo real para ensinarmos como agir? Nosso curso vai ser todo prático. Eu tenho, disse uma mulher. Outro dia uma talzinha ligou alegando que o serviço havia sido cortado. Ora, ela não  pagou. A tal disse que queria pagar, mas eu não “tava” boa nesse dia. Deixei ela esperando um tempão. Fui beber água. Conversei com a Ritinha, minha colega. E desliguei o telefone. Ela ainda estava esperando. Risos da platéia que chegou a aplaudir. O professor exultou. Você é telemartiqueira nata. Você tem futuro como facilitadora de outras turmas. Uma pergunta, ela xingou você? Não. Foi apenas impertinente. Um tipinho, não é? Do que chamaríamos a dita? Vadia! Alguém gritou. Apupos, risos, aplausos. O professor sugeriu que se fizesse uma traquinagem para lhe dar uma lição. A bomba vai pelo correio, disse.
Chama o cara da informática. Todos podem acompanhar em seus terminais. Bota aí: Vadia. No lugar do nome, sim. Assim, sem sobrenome. Em caixa alta pra ela entender que é um berro. Vai ler dez vezes antes de cair a ficha. Isso é pra ela aprender a não reclamar dos excelentes serviços de nossa operadora.

domingo, 29 de julho de 2012

Cimento na cara


O falso cirurgião plástico da Flórida conhecido por aplicar cimento e cola nos glúteos de uma mulher foi detido novamente nesta sexta-feira (27), acusado de homicídio de uma paciente.
Oneal Ron Morris praticava cirurgias clandestinas em quartos de hotel e casas no sul da Flórida em pacientes interessadas em aumentar os glúteos, as bochechas e os lábios. Para realizar o desejo dos pacientes, injetava materiais como cimento e cola, colocando em risco a vida de várias pessoas.

Fonte: AG EFE – UOL Notícias (27/07/2012)
Digam-me cá. “Dra. Duquesa” não faz falta ao Brasil? De repente, fiquei com inveja dos gringos que tem esta criatura que faz obras de arte corporais ou Body Modification com material, digamos, alternativo. É certo que quem se submete à “Dra. Duquesa” tem alguma síndrome dismórfica corporal, mas em tempos de reciclagem ela mostra um lado radical que a medicina ainda teima em não se atualizar. E, por bobagens, como a chance enormemente aumentada de que os pacientes morram.
Entre os materiais usados, um particularmente teria muito sucesso no Brasil, o cimento. O termo cara-de-pau, dizem os patrulheiros do politicamente correto, não deve mais ser usado porque não é ecologicamente correto. Como além dos políticos sobra quase ninguém para alcunhar com tal epíteto, acho que não faria mal nenhum aceitar esta sugestão.
Aliás, uma maldade da imprensa americana diante desta artista com tão refinada estética, foi chamá-la de “doutor cimento”. Um desrespeito duplo, digo, porque “Dra. Duquesa”, que nasceu Oneal Ron Morris,  é um transsexual em processo de transformação e como apesar da forma, vá lá, feminina – vocês não acreditariam – fica difícil ter uma identidade que possibilite um emprego honesto, de algum modo é preciso ganhar a vida. Por que não com bizarrices não sexuais?
Duquesa é uma experimentadora. Forjou glúteos com cola, lábios com selante e coxas com a mistura disso tudo e recheiou os vãos com algodão. Que culpa tem este ser, digam? Os clientes é que pedem e pagam. Duquesa apenas empresta seu vasto conhecimento, sem contar sua sensibilidade no design corporal, experimentado por ela mesma que com pequenas intervenções, ganhou glúteos tão avantajados que deixariam as  mulheres melancia e companhia humilhadas. É certo que as pernas de Duquesa, finas como palitos não acompanharam a linha de amplificação do traseiro, o que deu uma aparência ligeiramente estranha, mas um se acostuma... se não olhar muito.
Os políticos do mensalão e seus capangas veriam boa utilidade com o óleo mineral, material também largamente usado por Duquesa. Não sei exatamente para que serve, mas suponho que lustraria o cimento dos preenchimentos dos pés de galinha, as marcas de expressão, que devem ganhar uma imobilidade cérea compatível com a gravidade do momento, afinal serão julgados e qualquer trejeito facial pode denunciar culpa ou mesmo deboche com os ministros do supremo, o que pode ser potencialmente desastroso para as negativas que incorporaram ao seu dna de facínoras.
Acho que a cola teria particular utilidade com os pregadores televisivos. Bem, não sei explicar direito, talvez para untar o discurso cada vez mais escalafobético para arrancar trocados dos desesperados. Claro que um pouco de selante ajudaria, pois como os políticos, devem cuidar do vazamento de emoções que até hoje fazem a fama do Macedo se esbaldando com uma pequena montanha de dinheiro que agarrava com duas mãos com um olhar vidrado e cheio de cobiça. O video é velhinho, mas ainda perambula pelo You Tube.
Quanto a mim, dispenso os prestimosos e abalizados serviços da “Dra. Duquesa”. Estou plenamente satisfeito com este corpinho e cara que Deus me deu, embora, na academia onde amolo os músculos, uma mocinha namoradeira cujo objetivo no lugar seria apenas paquerar, tenha me incluído, genericamente, entre os faltosos de beleza quando exclamou que ali só havia homens homens feios. E quanto a você, vai um cimentozinho aí na bochecha?