domingo, 26 de março de 2017

Trem bala. Ana Vilela


Não é sobre ter todas pessoas do mundo pra si
É sobre saber que em algum lugar alguém zela por ti
É sobre cantar e poder escutar mais do que a própria voz
É sobre dançar na chuva de vida que cai sobre nós

É saber se sentir infinito
Num universo tão vasto e bonito, é saber sonhar
Então fazer valer a pena
Cada verso daquele poema sobre acreditar

Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu
É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu
É sobre ser abrigo e também ter morada em outros corações
E assim ter amigos contigo em todas as situações

A gente não pode ter tudo
Qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso eu prefiro sorrisos
E os presentes que a vida trouxe para perto de mim

Não é sobre tudo que o seu dinheiro é capaz de comprar
E sim sobre cada momento, sorriso a se compartilhar
Também não é sobre correr contra o tempo pra ter sempre mais
Porque quando menos se espera a vida já ficou pra trás

Segura teu filho no colo
Sorria e abraça os teus pais enquanto estão aqui
Que a vida é trem bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir

Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá
Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá

Segura teu filho no colo
Sorria e abraça os teus pais enquanto estão aqui
Que a vida é trem bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir

quinta-feira, 23 de março de 2017

Musica Maior: Dani Black e Milton Nascimento

Eu poderia começar lamentando que a poesia ou os versos inteligentes na música brasileira atual são raros. Pelo menos naquelas músicas que são mais tocadas nas rádios. A discografia que toca, eu entendo, há nelas o apelo popular e a lógica consumista, anestesiante, o barulho, a batida sem sentido que marca o compasso de corações e almas alheiadas, difusas nas massas, existindo sem ser.
Encontrei outro dia esta canção do Dani Black e Milton Nascimento: Maior. Melodia e letra casadas numa feliz coincidência, arte e poesia para a alma.
Montanhas de livros de autoajuda descansam nas prateleiras tentando dizer com muitas palavras o que esta canção diz em poucas linhas. Há um só tempo: esperança, coragem, aceitação, compaixão dão as mãos na letra.
Você se apropria da letra para si e viaja entre as dimensões temporais do passado, presente e futuro: “Eu sou maior do que era antes / Estou melhor do que era ontem” = presente.
“Daquelas dores que deixamos para trás / Sem saber que aquele choro valia ouro” = passado. 
“Se era certo ou se errei / Se sou súdito se sou rei / Somente atento à voz do tempo saberei” = futuro.
A paciência coexistem nestes tempos. Sem desespero. Sem falsas expectativas, pois não esperarei o que já não sei de mim. E se espero, vivo em incongruência e isso produz dor indizível.
A existência acontece “Evoluindo a cada lua a cada sol”, aqui e agora. Não sabemos o que nos sobrevirá. Cada esquina e curva é uma paisagem nova a arrancar de nós expressões de dor, surpresa, alegria, tristeza, raiva, alargando-nos ou nos diminuindo se nos apequenamos ou se deixarmos que façam assim conosco.
Você é quem é, mas o tempo também lhe revela. Agora mesmo você é o retrato desenhado nos anos até aqui vividos. Vontade, ações, quereres, omissões, crenças nos modelam petit a petit. Não há escapatória. O que quer que faça advirá um você que lhe proporcionará um encontro feliz ou decepcionante. “Somente o tempo vai me revelar quem sou.” Mas precisará que alguém, você, esteja lá para reconhecer-se.
“As cores mudam / As mudas crescem / Quando se desnudam.” Não há como se esconder de si ou dos outros. Você saberá algo de si, eles saberão outro tanto. Se a transparência for sua veste, eles terão uma imagem coerente sobre você. E se olharem errado, você sempre saberá quem é.
Agora, coloque os fones no ouvido e ouça a canção.

“Mas todos nós, que com a face descoberta contemplamos, como por meio de um material espelhado, a glória do Senhor, conforme a sua imagem estamos sendo transformados com glória crescente, na mesma imagem que vem do Senhor, que é o Espírito.”
II Coríntios 3.18


segunda-feira, 20 de março de 2017

Fences


Um homem em busca das oportunidades perdidas. Uma história de pequenas e incontáveis tragédias. Um garoto perdido se torna um homem perdido em busca de um rumo, pois nas desandanças ele encontra uma regra dura e inflexível: um homem faz o que precisa ser feito. Construir uma família e cuidar dela é sua forma de se tornar um homem digno, mas a pobreza, a falta de oportunidade, o sofrimento pelo fracasso de grande esportista que poderia ter sido encontrou uma explicação na raiva daqueles – os brancos – que, imaginado ou verdadeiro, o impediram de conquistar seu lugar de fama e sucesso por direito.
As mentiras se tornam uma forma de amenizar as dificuldades, elas o colocam na posição de guerreiro que enfrenta a morte e a enxota. A esposa é quem lhe dá o equilíbrio, nele precário.
Como todos nós, ele reproduz na relação com o filho a relação que antes teve com o pai. E a sua foi dura e violenta. Ele ama ao filho, mas o dever está acima do amor, pois o cumprimento do dever é a única forma que ele sabe de ser esse homem que pede respeito e um lugar numa sociedade excludente: um negro num EUA antes da vitória dos Direitos Civis.
A esposa compreensiva e dedicada (Viola Davis, ganhou o Oscar de atriz coadjuvante), o filho nascido de uma aventura e que simula sua própria trajetória, o filho com quem tem uma disputa inconsciente ainda que deseje que ele não viva o que viveu, o amigo de muitos anos, isso é seu mundo. Ele será abalado.
A cerca que esposa pede para ser consertada e que ele nunca termina, torna-se uma metáfora que o amigo Bono explica como algo que as pessoas fazem para prender os que estão próximos ou para deixar do lado de fora os forasteiros.
Ele deveria terminar a cerca com o filho, mas nunca consegue fazê-lo. A cerca é a vida interminável. É fadiga. É a promessa à espera para ser cumprida. É o sonho de ter algo. Delimita um espaço seu.   
Ela divide e separa. Ela protege até certo ponto. Ela estabelece um dentro e um fora. Ela precisa de reparos, às vezes. A cerca dá uma falsa sensação de segurança.
Enquanto espera cada sexta-feira, para o fim de semana de descanso, ele sofre com a segunda-feira e todos os dias para aguentar o pequeno ganho, a vida limitada. O quintal e sua cerca por fazer é o lugar das longas conversas, das mentiras grandiosas, das conversas sérias e do abandono bêbado enquanto entoa uma velha canção que fala do blue (tristeza), mas que é um cachorro leal e valente. Seu velho pai cantava, ele canta, um dia seu filho cantará, mas não mais na derrota, mas por outra tristeza.
Talvez tenhamos que ser resistentes e fazer o que precisa ser feito, mas diferente do personagem de Denzel Washington, com espaço para o amor, para o riso, para a leveza da alma. No final pode ser a única coisa que conta de verdade. 

sexta-feira, 17 de março de 2017

Agarrado à vida como Jacó ao Anjo

“Aprender a julgar quais vidas podiam ser salvas, quais não podiam e quais não deveriam exige uma capacidade de prognóstico inatingível. Cometi erros. Correr com um paciente para o centro cirúrgico para salvar um cérebro só para que seu coração continuasse batendo, sem que ele jamais pudesse voltar a falar, tivesse que se alimentar por um tubo e estivesse condenado a uma existência que ele nunca desejaria não era uma boa opção. Acabei considerando isso um fracasso maior do que deixa-lo morrer.”
Esta fala tão lúcida e honesta, tão verdadeira e desabrida é de um neurocirurgião que faleceu aos 36 anos de um câncer de pulmão que, segundo ele, acomete apenas 0,0012% das pessoas com esta idade.
Sua história está num best-seller com título em português “O último sopro de vida”. O nome dele era Paul Kalanithi. O livro promove uma incrível reflexão sobre o sentido da vida. O morrer e o viver com significado. O encontro da fé, sucesso, doença e cura. Sem ser um livro de autoajuda, posto que se trata de um visceral descrição da vivência de um homem na luta contra uma doença devastadora. Em sua palavras: “Doenças graves não são obstáculos que alteram a vida. Elas as despedaçam.”
Então, como achar uma forma de seguir vivendo no tempo que for possível, em vez de seguir morrendo? Kalanithi não nos dá um manual de regras, ele mesmo teve que aprender aquilo que muito distante de sentir, ensinava aos seus pacientes. Era tão aprendiz quanto eles.
A história comove sem ser apelativa ou sentimentalóide. Há crueza e delicadeza. Medo e esperança, artigo que os médicos também necessitam, como ele mesmo afirma.
Diante de sua médica, ele deseja saber sobre a curva Kaplan-Meyer, fórmula que estima as possibilidades de sobrevivência. Ele percebeu que sua relação com a estatística havia mudado, então ele pensou: e se a curva fosse dividida em seções existenciais? “Deixar algum espaço para um resultado estatisticamente improvável, mas ainda plausível? Isso é esperança?”
Em certo momento ele afirma: “A ciência pode fornecer a forma mais prática de organizar dados de forma empírica e replicável, mas seu poder de fazer isso é prejudicado por sua incapacidade de alcançar os aspectos mais essenciais da vida humana: esperança, medo, amor, ódio, beleza, inveja, honra, fraqueza, empenho, sofrimento, virtude.”
“... a realidade básica da vida humana se opõe fortemente ao determinismo cego.” Levamos tempo para aprender. Parece que apenas as experiências-limite mais agudas tem o poder nos arranca destas certezas frouxas ou seguranças onipotentes, nós, cacos de barro.
O jovem médico, amante da bossa nova, chegou num ponto em que antevia sua brevidade e um dilema: o que deixaria dito para sua filha bebê que não o conheceria? Então lhe veio a ideia: “palavras tem uma longevidade que não tenho.” Escreveria cartas, mas que dizer? Haveria tanto a ser dito e talvez quase nada. Foi isso que disse Kalanithi à filha:

“Quando você chegar a um dos muitos momentos da vida em que precisar refletir sobre si mesma, fornecer um relato do que foi, do que fez e do que significou para o mundo, peço, - peço não, oro – para que não se esqueça de que você preencheu os dias de um homem à beira da morte com uma alegria plena, uma alegria que me foi desconhecida em todos os meus anos passados, um alegria que não pede cada vez mais, e, sim, descansa, saciada. E, neste momento, isso é algo enorme.”


Será que este não é o sentido último da existência de cada um de nós: ser presença significativa para alguém, mesmo uma única pessoa?

terça-feira, 14 de março de 2017

O Selfie

O burburinho do restaurante não a perturbava. Estava totalmente absorvida. Eu que vagava os olhos ao redor fui distraidamente atraído para aquela mesa. Havia uma mulher de meia idade, cabelos pintados de um amarelo estridente, estava em seu mundo diante da telinha do celular. Descobri logo em seguida: embevecida – ou nem tanto – com a própria imagem que, aparentemente, teimava em não sair exatamente do jeito que sua imagem mental idealizada de si mesma queria.
As tentativas de encontrar o ângulo exato começou com o distanciamento do braço, o celular espremido entre o polegar e o médio e o indicador livre para clicar. A cabeça inclinava numa posição, noutra, ora séria, ora num riso estranho, posto que forçado. O que atrapalhava? Acho que era o cabelo que caía perturbando a paisagem do rosto, pois a todo momento os alisava e tentava colocar em alguma posição na qual, obediente, deveria ficar. Seguia-se o teste de qualidade da prova. Algo saiu errado. Voltava à tentativa de busca da aparência mítica. De repente sacou da bolsa um pau de selfie. Agora ela tinha, definitivamente, toda minha atenção. Que tenacidade!
Selfie foi a palavra do ano (em 2013) para o dicionário Oxford. É a abreviação de self-portrait. Em tradução literal: autorretrato. Inúmeros artigos, inclusive de profissionais da psicologia, viram aí um efeito secundário negativo da tecnologia. Apontavam para uma exacerbação do eu numa sociedade já suficientemente individualista. O fenômeno apenas refletia um comportamento frívolo. Ou perigoso. Não é difícil encontrar na internet imagens e até pequenos filmes de pessoas que ao fazer um selfie, morreram de forma absurda.
Teriam razão os articulistas ao condenarem este narcisismo exuberante? Seria o tédio da vida moderna ou o sem sentido destes tempos que se liquefazem ante nossos olhos como descreve Bauman? É uma sensação de futilidade que precisa ser substituída por aprovação contínua e muitos likes nas redes?
Uma pesquisa recente patrocinada pela Sony, sugere que o selfie pode dar dinheiro, ou melhor, já que as pessoas gostam tanto de “selfiar” isso pode ter uma função e impactar várias áreas. Pois foi o que a pesquisa rastreou. As áreas: saúde, entretenimento, finanças, relacionamentos, moda, comércio on-line, segurança pessoal e doméstica, robótica, esportes e, claro, relacionamentos amorosos.
Como um cachorro que precisa de um biscoito para registrar de forma positiva a experiência de dar a pata quando ordenado, grande parte das pessoas apenas tem um pouco de aprovação quando realizam alguma coisa, por simplória que seja – como cortar o cabelo – postar o selfie do novo look e receber elogios. Desde muito pequenos precisamos dessa aprovação, mas, à medida que crescemos, se isso acontece de maneira saudável, desenvolvemos um senso de segurança e identidade, auto aprovação que cria a autonomia pessoal, e isso alimenta a nós próprios.
Se acontece algo errado nesse processo: figuras afetivas importantes ausentes ou indiferentes, privação afetiva, abandono, violência emocional, então temos alguém sem o necessário suprimento interno que o sustentará na vida adulta e em relações livres e sem cobrança que levam as pessoas a fazerem as coisas não na lógica do custo-ganho, mas de fazer, por exemplo, porque é o certo. Agradar porque ama. Servir porque se realiza. Ajudar porque tem empatia pelo próximo. Fazer algo sempre na expectativa do ganho do biscoito emocional: alguma coisa está errada.
Haveria uma medida de quantidade de selfies que indica um distúrbio emocional? Desconheço. No adulto maduro, ainda que a imagem física tenha importância, a imagem mental medida pelo caráter, pela sensatez, por uma razão de sentido de existência, por um sentido de utilidade, são superiores à imagem estética ou àquela sustentam. O excesso de selfies, especulo, pode indicar uma substituição total da imagem composta apenas pela física. Então um fio de cabelo fora do lugar, conta. Um centímetro a mais na barriga, conta. No limite, são desastres.
Ah, aquela mulher? Ela quedou-se naquele afã, naquela busca inglória por muito tempo. A cada foto, um turbilhão de julgamentos que vinham junto com as supostas falas negativas daqueles de quem esperava a aprovação. As contorções no rosto denunciavam este dilema. Ao passar ao seu lado, aparentemente, depois de muitas fotos descartadas, tinha desistido daquela imago perfeita. Por aquele momento...

quarta-feira, 8 de março de 2017

Vingança Pornográfica

Vive-se o tempo da intimidade pública. Aquilo que era dito e feito na alcova, atende hoje a uma espécie de imposição de se tornar público. Mas não somente público, também notório. O acesso às mídias sociais que, em tese, são pessoais, quer dizer, são portas que só abrem para aqueles que privam desta proximidade, instigam a tentação de se expor num protagonismo reativo, numa forma de dizer existo, faço isso e aquilo, sou interessante, ousado e livre.
A nudez escapa “sem querer” para a rede. Acusam alguém de ter hackeado o celular, o computador, etc. Mas porque alguém precisa tirar fotos nuas ou até comprometedoras se não for, ao fim e ao cabo, para mostrar para alguém? Atende-se a um desejo narcísico mal disfarçado? Certo, pode não ser todo mundo, mas a que atende essa necessidade ainda que seja para mostrar a uma meia dúzia?
Casa é um arquétipo muito antigo para corpo. Religiões e filosofias muito antigas usaram este símbolo. Ainda usamos hoje em dia. O que me faz lembrar uma música para crianças de Vinícius que fala de uma casa que, se bem observarmos, casa não é. O poeta resolveu chamá-la assim, mas não tinha teto, não tinha chão, nem parede, nem penico. Se casa é um arquétipo de corpo – não somente a matéria – e, por derivação, de ser quem somos, nossa identidade com toda sua riqueza e feiúra, parece que há muitas casas-pessoas como essa do Vinícius.
Toda casa precisa de privacidade, pois é onde somos protegidos, alimentados, guardados das intempéries e da violência. A casa é o espaço do aprendizado afetivo, da lealdade e da convivência com aqueles que se tornam muito próximos num relacionamento exclusivo. Ela deixa de fora o intruso, o aproveitador, o salteador como lembra Jesus no Evangelho de João. Ali ele chama casa de aprisco, pois se referia a ovelhas. A relação que descreve é de profunda intimidade entre quem denomina “pastor” e “ovelhas”. E isso é expresso no reconhecimento da voz. No chamar pelo nome.
Mas se nossa nudez, nossos atos mais íntimos são publicados e se tem pouquíssimo pudor com a intimidade, torna-se casa sem portas e janelas. Disponível à bisbilhotagem do estranho, da invasão do solerte que mansamente me rouba de mim.
Um grupo de psicólogos da Universidade de Kent, Inglaterra, publicou um estudo cujo título é Revenge Porn. Vingança pornográfica em tradução literal. O título se autoexplica. Pessoas publicam fotos obtidas na relação íntima e espalham nas redes que é similar àquela ideia do travesseiro de penas aberto no alto de um prédio.
Os efeitos destes atos são devastadores. Não só pela consequência emocional e psíquica imediata e seus desdobramentos na vida prática, mas porque tem um tipo de eternidade na rede. E eles voltarão nos momentos menos esperados, como uma golfada de más notícias que exporão a pessoa vez trás vez.
Duas revelações do artigo. 1. As mulheres são as mais afetadas neste tipo de ato. 2. Aqueles que realizam este tipo de vingança foram correlacionados positivamente a graus de psicopatia e de ausência de empatia para com a pessoa agredida, o que é em si pródromo ou sintoma diagnóstico deste tipo de comportamento patológico.
A autonomia feminina precisa mesmo levar a uma exposição escancarada da vida? Será mesmo que esta liberdade da mulher precisa excluir o recato? A prudência? O comedimento?  Refiro-me a isso porque o artigo destaca e relaciona autonomia feminina como causa da hostilidade sofrida pelas mulheres. Será que demonstrar essa liberdade de certa maneira não passa de um tipo de autoafirmação? Ou aquela autonomia pode ser vivida de forma assertiva, sem necessidade de demonstrações apoteóticas dessa liberdade consigo mesma que precisa se expor de qualquer forma?
O corpo-casa precisa de cuidado e zelo. Isso inclui a proteção de si mesma. Manifestar a expressão da feminilidade, sim, mas atenta para quem e com quem ela se revela. Afinal, como bem colocou o artigo, aquele íntimo ou nem tanto – parece que muitas mulheres não se importam muito – pode ser um ser parasítico, um espírito perverso que, sim, sempre dá sinais de quem é, mesmo aqueles cuidadosos. Mas isso é tema para outro post.