Aqui falo sobre um monte coisas de meu universo de interesse. Filmes, livros, família, política, religião e psicologia. Também reproduzo textos publicados em jornais de São Luís (MA).
segunda-feira, 27 de março de 2017
Ipseidade
Veja no link. Um texto que vale a pena ler e pensar...
https://www.facebook.com/notes/oficina-de-sa%C3%BAde-mental-e-espiritualidade/ipseidade/709295312572296
domingo, 26 de março de 2017
Trem bala. Ana Vilela
Não é sobre ter todas pessoas do mundo pra si
É sobre saber que em algum lugar alguém zela por ti
É sobre cantar e poder escutar mais do que a própria voz
É sobre dançar na chuva de vida que cai sobre nós
É saber se sentir infinito
Num universo tão vasto e bonito, é saber sonhar
Então fazer valer a pena
Cada verso daquele poema sobre acreditar
Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu
É sobre escalar e sentir que o caminho te fortaleceu
É sobre ser abrigo e também ter morada em outros corações
E assim ter amigos contigo em todas as situações
A gente não pode ter tudo
Qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso eu prefiro sorrisos
E os presentes que a vida trouxe para perto de mim
Não é sobre tudo que o seu dinheiro é capaz de comprar
E sim sobre cada momento, sorriso a se compartilhar
Também não é sobre correr contra o tempo pra ter sempre mais
Porque quando menos se espera a vida já ficou pra trás
Segura teu filho no colo
Sorria e abraça os teus pais enquanto estão aqui
Que a vida é trem bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir
Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá
Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá
Segura teu filho no colo
Sorria e abraça os teus pais enquanto estão aqui
Que a vida é trem bala, parceiro
E a
gente é só passageiro prestes a partir
quinta-feira, 23 de março de 2017
Musica Maior: Dani Black e Milton Nascimento
Eu poderia começar
lamentando que a poesia ou os versos inteligentes na música brasileira atual
são raros. Pelo menos naquelas músicas que são mais tocadas nas rádios. A
discografia que toca, eu entendo, há nelas o apelo popular e a lógica
consumista, anestesiante, o barulho, a batida sem sentido que marca o compasso
de corações e almas alheiadas, difusas nas massas, existindo sem ser.
Encontrei outro dia esta
canção do Dani Black e Milton Nascimento: Maior. Melodia e letra casadas numa
feliz coincidência, arte e poesia para a alma.
Montanhas de livros de
autoajuda descansam nas prateleiras tentando dizer com muitas palavras o que
esta canção diz em poucas linhas. Há um só tempo: esperança, coragem,
aceitação, compaixão dão as mãos na letra.
Você se apropria da
letra para si e viaja entre as dimensões temporais do passado, presente e
futuro: “Eu sou maior
do que era antes / Estou melhor do que era ontem” = presente.
“Daquelas dores que deixamos para trás / Sem saber que
aquele choro valia ouro” = passado.
“Se era certo ou se errei / Se sou súdito se sou rei /
Somente atento à voz do tempo saberei” = futuro.
A paciência coexistem nestes tempos. Sem desespero.
Sem falsas expectativas, pois não esperarei o que já não sei de mim. E se
espero, vivo em incongruência e isso produz dor indizível.
A existência acontece “Evoluindo a cada lua a cada sol”,
aqui e agora. Não sabemos o que nos sobrevirá. Cada esquina e curva é uma
paisagem nova a arrancar de nós expressões de dor, surpresa, alegria, tristeza,
raiva, alargando-nos ou nos diminuindo se nos apequenamos ou se deixarmos que
façam assim conosco.
Você é quem é, mas o tempo também lhe revela. Agora
mesmo você é o retrato desenhado nos anos até aqui vividos. Vontade, ações,
quereres, omissões, crenças nos modelam petit
a petit. Não há escapatória. O que quer que faça advirá um você que lhe
proporcionará um encontro feliz ou decepcionante. “Somente o tempo vai me
revelar quem sou.” Mas precisará que alguém, você, esteja lá para
reconhecer-se.
“As cores mudam / As mudas crescem / Quando se
desnudam.” Não há como se esconder de si ou dos outros. Você saberá algo de si,
eles saberão outro tanto. Se a transparência for sua veste, eles terão uma
imagem coerente sobre você. E se olharem errado, você sempre saberá quem é.
Agora, coloque os fones no ouvido e ouça a canção.
“Mas todos nós, que com a face descoberta
contemplamos, como por meio de um material espelhado, a glória do Senhor, conforme
a sua imagem estamos sendo transformados com glória crescente, na mesma imagem
que vem do Senhor, que é o Espírito.”
II
Coríntios 3.18segunda-feira, 20 de março de 2017
Fences
Um homem em
busca das oportunidades perdidas. Uma história de pequenas e incontáveis
tragédias. Um garoto perdido se torna um homem perdido em busca de um rumo,
pois nas desandanças ele encontra uma regra dura e inflexível: um homem faz o
que precisa ser feito. Construir uma família e cuidar dela é sua forma de se
tornar um homem digno, mas a pobreza, a falta de oportunidade, o sofrimento
pelo fracasso de grande esportista que poderia ter sido encontrou uma
explicação na raiva daqueles – os brancos – que, imaginado ou verdadeiro, o
impediram de conquistar seu lugar de fama e sucesso por direito.
As mentiras se
tornam uma forma de amenizar as dificuldades, elas o colocam na posição de
guerreiro que enfrenta a morte e a enxota. A esposa é quem lhe dá o equilíbrio,
nele precário.
Como todos
nós, ele reproduz na relação com o filho a relação que antes teve com o pai. E
a sua foi dura e violenta. Ele ama ao filho, mas o dever está acima do amor, pois
o cumprimento do dever é a única forma que ele sabe de ser esse homem que pede
respeito e um lugar numa sociedade excludente: um negro num EUA antes da
vitória dos Direitos Civis.
A esposa
compreensiva e dedicada (Viola Davis, ganhou o Oscar de atriz coadjuvante), o
filho nascido de uma aventura e que simula sua própria trajetória, o filho com
quem tem uma disputa inconsciente ainda que deseje que ele não viva o que
viveu, o amigo de muitos anos, isso é seu mundo. Ele será abalado.
A cerca que
esposa pede para ser consertada e que ele nunca termina, torna-se uma metáfora
que o amigo Bono explica como algo que as pessoas fazem para prender os que
estão próximos ou para deixar do lado de fora os forasteiros.
Ele deveria
terminar a cerca com o filho, mas nunca consegue fazê-lo. A cerca é a vida
interminável. É fadiga. É a promessa à espera para ser cumprida. É o sonho de
ter algo. Delimita um espaço seu.
Ela divide e
separa. Ela protege até certo ponto. Ela estabelece um dentro e um fora. Ela
precisa de reparos, às vezes. A cerca dá uma falsa sensação de segurança.
Enquanto
espera cada sexta-feira, para o fim de semana de descanso, ele sofre com a
segunda-feira e todos os dias para aguentar o pequeno ganho, a vida limitada. O
quintal e sua cerca por fazer é o lugar das longas conversas, das mentiras
grandiosas, das conversas sérias e do abandono bêbado enquanto entoa uma velha
canção que fala do blue (tristeza), mas que é um cachorro leal e valente. Seu
velho pai cantava, ele canta, um dia seu filho cantará, mas não mais na
derrota, mas por outra tristeza.
Talvez
tenhamos que ser resistentes e fazer o que precisa ser feito, mas diferente do
personagem de Denzel Washington, com espaço para o amor, para o riso, para a
leveza da alma. No final pode ser a única coisa que conta de verdade.
sexta-feira, 17 de março de 2017
Agarrado à vida como Jacó ao Anjo
“Aprender a julgar quais vidas
podiam ser salvas, quais não podiam e quais não deveriam exige uma capacidade
de prognóstico inatingível. Cometi erros. Correr com um paciente para o centro
cirúrgico para salvar um cérebro só para que seu coração continuasse batendo,
sem que ele jamais pudesse voltar a falar, tivesse que se alimentar por um tubo
e estivesse condenado a uma existência que ele nunca desejaria não era uma boa opção.
Acabei considerando isso um fracasso maior do que deixa-lo morrer.”
Esta fala tão
lúcida e honesta, tão verdadeira e desabrida é de um neurocirurgião que faleceu
aos 36 anos de um câncer de pulmão que, segundo ele, acomete apenas 0,0012% das
pessoas com esta idade.
Sua história
está num best-seller com título em português “O último sopro de vida”. O nome
dele era Paul Kalanithi. O livro promove uma incrível reflexão sobre o sentido da
vida. O morrer e o viver com significado. O encontro da fé, sucesso, doença e
cura. Sem ser um livro de autoajuda, posto que se trata de um visceral
descrição da vivência de um homem na luta contra uma doença devastadora. Em sua
palavras: “Doenças graves não são obstáculos que alteram a vida. Elas as
despedaçam.”
Então, como
achar uma forma de seguir vivendo no tempo que for possível, em vez de seguir
morrendo? Kalanithi não nos dá um manual de regras, ele mesmo teve que aprender
aquilo que muito distante de sentir, ensinava aos seus pacientes. Era tão
aprendiz quanto eles.
A história
comove sem ser apelativa ou sentimentalóide. Há crueza e delicadeza. Medo e
esperança, artigo que os médicos também necessitam, como ele mesmo afirma.
Diante de sua
médica, ele deseja saber sobre a curva Kaplan-Meyer, fórmula que estima as
possibilidades de sobrevivência. Ele percebeu que sua relação com a estatística
havia mudado, então ele pensou: e se a curva fosse dividida em seções
existenciais? “Deixar algum espaço para um resultado estatisticamente
improvável, mas ainda plausível? Isso é esperança?”
Em certo
momento ele afirma: “A ciência pode fornecer a forma mais prática de organizar
dados de forma empírica e replicável, mas seu poder de fazer isso é prejudicado
por sua incapacidade de alcançar os aspectos mais essenciais da vida humana:
esperança, medo, amor, ódio, beleza, inveja, honra, fraqueza, empenho,
sofrimento, virtude.”
“... a realidade básica da vida
humana se opõe fortemente ao determinismo cego.” Levamos tempo para aprender.
Parece que apenas as experiências-limite mais agudas tem o poder nos arranca
destas certezas frouxas ou seguranças onipotentes, nós, cacos de barro.
O jovem médico,
amante da bossa nova, chegou num ponto em que antevia sua brevidade e um
dilema: o que deixaria dito para sua filha bebê que não o conheceria? Então lhe
veio a ideia: “palavras tem uma longevidade que não tenho.” Escreveria cartas,
mas que dizer? Haveria tanto a ser dito e talvez quase nada. Foi isso que disse
Kalanithi à filha:
“Quando você chegar a um dos muitos
momentos da vida em que precisar refletir sobre si mesma, fornecer um relato do
que foi, do que fez e do que significou para o mundo, peço, - peço não, oro –
para que não se esqueça de que você preencheu os dias de um homem à beira da
morte com uma alegria plena, uma alegria que me foi desconhecida em todos os
meus anos passados, um alegria que não pede cada vez mais, e, sim, descansa,
saciada. E, neste momento, isso é algo enorme.”
Será que este
não é o sentido último da existência de cada um de nós: ser presença
significativa para alguém, mesmo uma única pessoa?
terça-feira, 14 de março de 2017
O Selfie
O burburinho
do restaurante não a perturbava. Estava totalmente absorvida. Eu que vagava os
olhos ao redor fui distraidamente atraído para aquela mesa. Havia uma mulher de
meia idade, cabelos pintados de um amarelo estridente, estava em seu mundo diante
da telinha do celular. Descobri logo em seguida: embevecida – ou nem tanto –
com a própria imagem que, aparentemente, teimava em não sair exatamente do
jeito que sua imagem mental idealizada de si mesma queria.
As
tentativas de encontrar o ângulo exato começou com o distanciamento do braço, o
celular espremido entre o polegar e o médio e o indicador livre para clicar. A
cabeça inclinava numa posição, noutra, ora séria, ora num riso estranho, posto
que forçado. O que atrapalhava? Acho que era o cabelo que caía perturbando a
paisagem do rosto, pois a todo momento os alisava e tentava colocar em alguma posição
na qual, obediente, deveria ficar. Seguia-se o teste de qualidade da prova.
Algo saiu errado. Voltava à tentativa de busca da aparência mítica. De repente
sacou da bolsa um pau de selfie. Agora ela tinha, definitivamente, toda minha
atenção. Que tenacidade!
Selfie foi a
palavra do ano (em 2013) para o dicionário Oxford. É a abreviação de
self-portrait. Em tradução literal: autorretrato. Inúmeros artigos, inclusive
de profissionais da psicologia, viram aí um efeito secundário negativo da
tecnologia. Apontavam para uma exacerbação do eu numa sociedade já
suficientemente individualista. O fenômeno apenas refletia um comportamento
frívolo. Ou perigoso. Não é difícil encontrar na internet imagens e até
pequenos filmes de pessoas que ao fazer um selfie, morreram de forma absurda.
Teriam razão
os articulistas ao condenarem este narcisismo exuberante? Seria o tédio da vida
moderna ou o sem sentido destes tempos que se liquefazem ante nossos olhos como
descreve Bauman? É uma sensação de futilidade que precisa ser substituída por
aprovação contínua e muitos likes nas redes?
Uma pesquisa
recente patrocinada pela Sony, sugere que o selfie pode dar dinheiro, ou
melhor, já que as pessoas gostam tanto de “selfiar” isso pode ter uma função e
impactar várias áreas. Pois foi o que a pesquisa rastreou. As áreas: saúde,
entretenimento, finanças, relacionamentos, moda, comércio on-line, segurança
pessoal e doméstica, robótica, esportes e, claro, relacionamentos amorosos.
Como um
cachorro que precisa de um biscoito para registrar de forma positiva a
experiência de dar a pata quando ordenado, grande parte das pessoas apenas tem
um pouco de aprovação quando realizam alguma coisa, por simplória que seja – como
cortar o cabelo – postar o selfie do novo look e receber elogios. Desde muito
pequenos precisamos dessa aprovação, mas, à medida que crescemos, se isso
acontece de maneira saudável, desenvolvemos um senso de segurança e identidade,
auto aprovação que cria a autonomia pessoal, e isso alimenta a nós próprios.
Se acontece
algo errado nesse processo: figuras afetivas importantes ausentes ou
indiferentes, privação afetiva, abandono, violência emocional, então temos
alguém sem o necessário suprimento interno que o sustentará na vida adulta e em
relações livres e sem cobrança que levam as pessoas a fazerem as coisas não na
lógica do custo-ganho, mas de fazer, por exemplo, porque é o certo. Agradar
porque ama. Servir porque se realiza. Ajudar porque tem empatia pelo próximo. Fazer
algo sempre na expectativa do ganho do biscoito emocional: alguma coisa está
errada.
Haveria uma
medida de quantidade de selfies que indica um distúrbio emocional? Desconheço.
No adulto maduro, ainda que a imagem física tenha importância, a imagem mental
medida pelo caráter, pela sensatez, por uma razão de sentido de existência, por
um sentido de utilidade, são superiores à imagem estética ou àquela sustentam.
O excesso de selfies, especulo, pode indicar uma substituição total da imagem
composta apenas pela física. Então um fio de cabelo fora do lugar, conta. Um
centímetro a mais na barriga, conta. No limite, são desastres.
Ah,
aquela mulher? Ela quedou-se naquele afã, naquela busca inglória por muito
tempo. A cada foto, um turbilhão de julgamentos que vinham junto com as supostas
falas negativas daqueles de quem esperava a aprovação. As contorções no rosto
denunciavam este dilema. Ao passar ao seu lado, aparentemente, depois de muitas
fotos descartadas, tinha desistido daquela imago perfeita. Por aquele
momento...
quarta-feira, 8 de março de 2017
Vingança Pornográfica
Vive-se o
tempo da intimidade pública. Aquilo que era dito e feito na alcova, atende hoje
a uma espécie de imposição de se tornar público. Mas não somente público,
também notório. O acesso às mídias sociais que, em tese, são pessoais, quer
dizer, são portas que só abrem para aqueles que privam desta proximidade,
instigam a tentação de se expor num protagonismo reativo, numa forma de dizer
existo, faço isso e aquilo, sou interessante, ousado e livre.
A nudez escapa
“sem querer” para a rede. Acusam alguém de ter hackeado o celular, o
computador, etc. Mas porque alguém precisa tirar fotos nuas ou até
comprometedoras se não for, ao fim e ao cabo, para mostrar para alguém?
Atende-se a um desejo narcísico mal disfarçado? Certo, pode não ser todo mundo,
mas a que atende essa necessidade ainda que seja para mostrar a uma meia dúzia?
Casa é um
arquétipo muito antigo para corpo. Religiões e filosofias muito antigas usaram
este símbolo. Ainda usamos hoje em dia. O que me faz lembrar uma música para
crianças de Vinícius que fala de uma casa que, se bem observarmos, casa não é.
O poeta resolveu chamá-la assim, mas não tinha teto, não tinha chão, nem
parede, nem penico. Se casa é um arquétipo de corpo – não somente a matéria –
e, por derivação, de ser quem somos, nossa identidade com toda sua riqueza e
feiúra, parece que há muitas casas-pessoas como essa do Vinícius.
Toda casa
precisa de privacidade, pois é onde somos protegidos, alimentados, guardados
das intempéries e da violência. A casa é o espaço do aprendizado afetivo, da
lealdade e da convivência com aqueles que se tornam muito próximos num
relacionamento exclusivo. Ela deixa de fora o intruso, o aproveitador, o
salteador como lembra Jesus no Evangelho de João. Ali ele chama casa de
aprisco, pois se referia a ovelhas. A relação que descreve é de profunda
intimidade entre quem denomina “pastor” e “ovelhas”. E isso é expresso no
reconhecimento da voz. No chamar pelo nome.
Mas se nossa
nudez, nossos atos mais íntimos são publicados e se tem pouquíssimo pudor com a
intimidade, torna-se casa sem portas e janelas. Disponível à bisbilhotagem do
estranho, da invasão do solerte que mansamente me rouba de mim.
Um grupo de
psicólogos da Universidade de Kent, Inglaterra, publicou um estudo cujo título
é Revenge Porn. Vingança pornográfica em tradução literal. O título se
autoexplica. Pessoas publicam fotos obtidas na relação íntima e espalham nas
redes que é similar àquela ideia do travesseiro de penas aberto no alto de um
prédio.
Os efeitos
destes atos são devastadores. Não só pela consequência emocional e psíquica
imediata e seus desdobramentos na vida prática, mas porque tem um tipo de
eternidade na rede. E eles voltarão nos momentos menos esperados, como uma
golfada de más notícias que exporão a pessoa vez trás vez.
Duas
revelações do artigo. 1. As mulheres são as mais afetadas neste tipo de ato. 2.
Aqueles que realizam este tipo de vingança foram correlacionados positivamente
a graus de psicopatia e de ausência de empatia para com a pessoa agredida, o
que é em si pródromo ou sintoma diagnóstico deste tipo de comportamento
patológico.
A autonomia
feminina precisa mesmo levar a uma exposição escancarada da vida? Será mesmo
que esta liberdade da mulher precisa excluir o recato? A prudência? O
comedimento? Refiro-me a isso porque o
artigo destaca e relaciona autonomia feminina como causa da hostilidade sofrida
pelas mulheres. Será que demonstrar essa liberdade de certa maneira não passa
de um tipo de autoafirmação? Ou aquela autonomia pode ser vivida de forma
assertiva, sem necessidade de demonstrações apoteóticas dessa liberdade consigo
mesma que precisa se expor de qualquer forma?
O
corpo-casa precisa de cuidado e zelo. Isso inclui a proteção de si mesma.
Manifestar a expressão da feminilidade, sim, mas atenta para quem e com quem
ela se revela. Afinal, como bem colocou o artigo, aquele íntimo ou nem tanto –
parece que muitas mulheres não se importam muito – pode ser um ser parasítico,
um espírito perverso que, sim, sempre dá sinais de quem é, mesmo aqueles
cuidadosos. Mas isso é tema para outro post.
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