terça-feira, 22 de julho de 2014

Rubem Alves



Explorei recônditos da memória, mas não lembro como conheci o Rubem Alves. Seu nome vem de longe em minha mente. De quando ainda escrevia teologia – digo no sentido formal, de quem explora o texto bíblico com as ferramentas exegéticas e hermenêuticas – e desandava a pensar livre a ponto de dar fundamentos para uma teologia nova que se conheceu depois como “teologia da libertação”.
Por esta razão, eu o olhava desconfiado. Dessacralizar o sagrado e sincretizar o Evangelho e ressignificá-lo com as ferramentas marxistas para construir uma nova sociedade, como se isso fosse possível, ignorando o homem e sua disfunção ontogênica para o mal, para a desigualdade, foi uma espécie de viagem lisérgica que acabou pela simples dêbacle dos falsos paraísos comunistas. Mas Rubem não ficou nisso, ainda bem. Homem de alma sensível, se voltou para outros caminhos. A educação, a filosofia, a poesia, a psicanálise, a espiritualidade, de onde extraía a transcendência – não mais da Bíblia que citava de quando em vez. Menos em “Creio na ressurreição do corpo” –, mas dos Ipês amarelos que tanto amava e outras flores.
Foi pastor de almas de forma institucional. Nessa condição, sofreu a violência do exílio. Ele e tantos outros nas fileiras protestantes. Delatados por irmãos de fé. História ainda sepultada pelo silêncio. Ainda não se contou o que aconteceu atrás das cortinas daquela igreja protestante em pleno período de chumbo. Não era a Igreja Confessante de um Dietrich Bonhoeffer, mas era uma igreja em que havia uma minoria pensante, desafiada a entender a sua realidade e denunciar suas contramãos, não essa massa amorfa, carnavalesca, celebrada e pasteurizada que, a despeito de seu enorme número, pouco impacta a sociedade para além de seus cacoetes verbais-religiosos.
Acho que Rubem continuou pastor. Certamente sem igreja, mas com muitas ovelhas. Seu culto e evangelho estavam traduzidos na profusão de livros que escreveu. A poesia-prosa de milhares de pequenas histórias que começavam, tantas vezes despretensiosa, como a espreitar o leitor e então, envolvente como uma bruma de uma manhã fria, transportava o enlevado aluno para outras plagas do sonho, da verdade, da alegria, das pequenas descobertas como diz Adélia Prado – por quem Rubem tinha admiração confessa –, ela que anda com Deus de forma esconsa: “O filete de capim está nascendo debaixo da pedra. Vai dar, na estação, sua flor dura e cinzenta, sem ninguém saber.”
Li Rubem muitas vezes. Numas me irritava com ele, mas era só porque ele ia para lugares onde eu não queria ou não podia ir. Porque me dava cisma de coisas que eu discordava como se fosse meu inimigo mortal. Noutras leituras, era como se sentássemos juntos à mesa para a ceia. Havia um feliz conGRAÇAmento. Um artigo seu, a propósito daquele episódio dantesco nas cidades de Teresópolis e Petrópolis, há alguns anos, ele me tirou do sério. Eu, petulante, escrevi artigo e postei no fórum virtual da Ultimato. Logo apareceu um seu defensor irado. Parecia que Rubem era seu Senhor e Deus, incapaz de cometer asneira. Travamos um duelo de palavras. Ele agressivo, me chamando para a briga. Eu, a princípio, evitando o combate até quase mandá-lo para cucuia. Duvido que o Rubem o aceitasse como adorador.
Eu gostava de todas as versões do Rubem escritor. Às vezes me pegava ecoando seu estilo. Era só ler um livro seu. Ficava contaminado de Rubem. Escrevia parecido porque achava bonito aquela conversinha pequena, que ia crescendo, crescendo, até ser um jatobá frondoso. Acho que ele gostaria dessa comparação.
Então um vento ruim veio de esguelha e com ele uma notícia. Rubem havia sido internado. Era pouca informação. Não dava para maldar a morte. Sábado (19/07), no final da manhã, soube que ele havia partido. Fiquei com saudade. Acalentava um plano secreto de um dia vê-lo em pessoa. Não deu. Desconheço sua ideia sobre o encontro definitivo com o Altíssimo. Sua carta testamento, em que falava de sua morte, ele deixa uma frase enigmática, aberta a muitas interpretações. Mas se ele, como disse Paulo, acabou a carreira e em algum lugar guardou a fé, secretamente esperava a verdadeira vida, o encontro final com seu Criador. O que o mesmo Paulo descreve como o caminha para além da visão turva do espelho, o agora conheço em parte, mas depois conhecerei plenamente, assim como também sou plenamente conhecido. Se assim for, espero vê-lo e aí conversaremos sobre muitas coisas. Nada que cada qual não saiba, lá nada haverá encoberto, será apenas a alegria do encontro.

sábado, 19 de julho de 2014

Arte casual-pop



Megumi Igarashi enviou modelo digital para pessoas que doaram dinheiro para sua obra. Acabou presa em Tóquio por violar leis contra obscenidade.


Fonte: Veja (16/07/2014)



Desde que Marcel Duchamp colocou um urinol masculino na parede e o chamou de “fonte”, em 1917, há quase cem anos, nunca mais a arte foi a mesma. Ele criou o conceito readymade (objeto pronto), quer dizer, qualquer coisa pode ser arte, desde que se dê a ela um significado que está somente nas mirabolâncias do autor. Ele mesmo, quatro anos antes, havia colocado um garfo de bicicleta, com a calha, fixado num tamborete de madeira. O que era mesmo? Um tamborete inutilizado.

Já se disse de tudo sobre o urinol. Viu-se de Buda à efígie de Nossa senhora, passando pela deusa Vênus. Significados que Duchamp insistia em negar, alegando que o urinol era só um urinol. A porteira estava arrombada, não havia mais limites. Jackson Pollock abandonará o pincel e o cavalete e pingará tinta na tela em branco e deixará escorrer e o que deu, deu. Jonh Cage deixará uma música com mais de quatro minutos de silêncio e será música. Andy Warhol, com sua peruca branca, reproduzirá latas de sopa em quadros. A lista é infinita de artes e artistas abstratos, pós-tudo, pop, contemporâneos, o escambau.

Mas nada é ruim que não possa piorar. Naqueles havia um verniz de ideia, contestação, denúncia, ressignificado da coisa, da experiência – Ceci n'est pas une Pipe (isto não é um cachimbo, de René Magritte). Nos atuais está em moda, há tempos, as montagens. Quem já viu uma da Yoko Ono, sabe do que falo. Outro dia um chileno, radicado na Suécia, colocou dezenas de liquidificadores com peixinhos dourados – vivos! A coisa bacana era ligar o aparelho e ver se havia energia. Imagine. Outro entupia o reto (não é o pronome) com água e tinta e depois espirrava numa tela. Piero Manzoni (1961) enlatou (90 latas, para ser preciso) com o próprio cocô – assim afirmara – com o rótulo: Merda d'Artista (30 g). Está exposto em galeria e vale uma grana.

Por que Megumi não podia tirar um selfie de sua vagina e reproduzi-lo em coisas? A japonesa está farta de o órgão feminino ser objeto de pudor em sua sociedade. Mas não da forma que o fez o Império dos Sentidos (1976) que manteve a vagina dentro dos limites, vá lá, do tatame. A última coisa que eu pensaria para uma vagina seria torná-la “casual e pop” como defende Megumi. Ela insiste em desmistificá-la. Alerta que a genitália feminina não é obscena.

Em uma foto em seu site, ela está sorridente num bote que tem o formato de sua perereca, se me permitem. Pois lhes digo, naquele bote não entraria, não. Com pop, Megumi quer dizer usável, comercializável, desfrutável. Não que não haja vaginas nesta condição. Esquinas e bordeis pelo mundo é o que mais tem. Durante a Copa as meninas cobravam R$130,00. Mas no formato de capa de celular? Nem se fale numa pequena luminária que tem abaixo da lâmpada – esta enterrada lá no lugar –, um pobre Buda sorridente. Ele não riria se soubesse onde estava.

Rebuliço. Escândalo. E para a traquinagem, ela fez crowdfunding. Pessoas doam dinheiro por uma ideia que alguém difunde pela internete com a promessa de que o doador receba o produto (quando pronto) ou o compre por preço mais camarada. Aos doadores, Megumi enviou pelo correio um arquivo para impressão 3D de sua vagina. Nem imagino o que farão com ela. Mas a ideia é fazer botes iguais ao seu ou coisinhas decorativas. Ela avisa que o produto não tem cheiro, não solta as tiras, não deforma...

Por pequena quantia por pessoa, mulheres que queiram se libertar da opressão da vagina, ela dá workshops onde ensina como fazer o próprio molde da dita. Avisa que não é fácil. Não entendi, parecia. Vai ver que é o tal espírito da arte. Outro dia, um sujeito em Nova York (EUA, não confunda com o lugarejo maranhense) tirava moldes das vaginas de quem quisesse e depois as montava em painéis com dezenas delas. Causou furor no meio artístico. Vá se entender.

Megumi teve as asas cortadas logo de saída. A lei japonesa considera obscena este desplante artístico. Ameaçam-na com cadeia e multa. Ela diz que a vagina é só um órgão do corpo da mulher, talvez, para ela, igual ao nariz, uma unha. Censura, grita Megumi, mas, por via das dúvidas, resolveu colocar em liquidação o estoque de vaginas encalhadas. E aí, vai quantas? 


OBS.: Sobre o urinol, recomendo a crônica de Afonso Romano de Sant’anna, publicada em 2007, no Correio Braziliense/Estado de Minas, com o título: Um urinol faz 90 anos. 

domingo, 13 de julho de 2014

Não quero ser o país do futebol fuleco



Fonte: Revista Veja (09/07/2014)

Estava determinado a não tocar no assunto. Resisti até mesmo às inúmeras versões de teorias conspiratórias que inundam o whatsapp sobre a venda da copa. Mas, eis que ao ligar o rádio distraidamente, ouço que certo jogador alemão, o simpático Lukas Podolski, havia postado numa rede social uma defesa apaixonada pela seleção brasileira que sofre uma avalanche de análises, insultos e pesares perplexos mundo afora.

Lamento por hoje, Gisele, você que não perde oportunidade de citar a coluna pelo humor que ela pretende. Você que tem um sorriso eterno estampado no rosto. Mas não sei se riremos juntos neste texto.

Voltando. Dizia que Podolski defendeu a seleção brasileira que chamou carinhosamente, num texto escrito em português – outra delicadeza – de amarelinha, uma atitude cavalheiresca que, parece, é a mesma dos demais membros do elenco alemão, inclusive de seu técnico.

A tal rádio, em uma nota jornalística, citou a atitude do jogador Podolski e reproduziu um trecho de sua fala: Respeite a amarelinha com sua história e tradição. O mundo do futebol deve muito ao futebol brasileiro, que é e sempre será o país do futebol. O final da frase ficou ecoando em minha cabeça. E me peguei dizendo para mim mesmo: Não, eu não quero ser o país do futebol. Lembrei inúmeros artigos que dissecaram o tal desastre futebolístico e terminavam, lembrando Jó, como consoladores molestos: ainda somos ou sempre seremos o país do futebol.

É preciso ler o texto inteiro de Podolski. Por que o quero ser ou onde quero estar é no segundo parágrafo de sua fala: A vitória é consequência do trabalho. Viemos determinados... Eles, diferentes da nossa amarelinha, cujos membros aparecem ao lado de necessitados como parte do marketing pessoal ou do conjunto, não apenas posaram com índios aculturados – fantasiados com penas de galinha – no sul da Bahia. Reza a lenda que além da construção de um centro de treinamento em tempo recorde, com a famosa eficiência alemã, olharam o entorno e se comprometeram a construir, não uma, mas duas escolas. Enquanto isso, um viaduto da tal mobilidade urbana da copa desaba, como se fosse feito de meleca e mata dois, curiosamente, na cidade da chamada hecatombe futebolística brasileira. Mineiraço: será assim que o chamarão doravante?

Não quero ser o país do futebol e detesto esta patriotada de rompante que emerge a cada quatro anos. Este ufanismo tolo de que com brasileiro não há quem possa. Já viram que as bandeirinhas sumiram dos carros? Pois desafio aos patriotas de temporada a usarem bandeirinhas até os farrapos por nada. Ganhando ou perdendo. Na eleição que se aproxima. Como um voto-flâmula que tremula cidadania. Com um cidadão, aí sim, não há político que possa.

Não quero ser país do futebol. Quero ver mais trabalho sério, econômico, eficiente e decente dos dirigentes do futebol, dos políticos que com eles se amancebam. Estádios de bilhões e ainda por cima inacabados? Dispenso. Mobilidade urbana fuleira? Renego. E nunca fui contra a copa no país. Quero ser o país da educação, da saúde mínima garantida e não de pirotecnias politiqueiras criminosas, como se vê no Maranhão. Quero que a educação seja boa para que o brasileiro médio – preto, branco, índio, amarelo e pardo – tenha o direito, por mérito, de alçar lugares melhores na vida e não dependa de cotas que dizem promover justiça, enviesada e extemporânea, ou bolsas miseráveis que tem porta de entrada e não de saída. É mais fácil criar cota do que melhorar a educação. E que esta seja mais profissional e menos pelega na sinérgica incompetência dos administradores públicos com professores que mais fazem greve que dão aula e quando dão, tornam o estudante duas vezes mais desinteressado e fracassado.

Detesto quando, ao viajar, ou conhecer um estrangeiro, eles citem nomes de jogadores como se todos nós só fizéssemos isso na vida. Cadê o estadista brasileiro? Onde anda aquele prêmio Nobel que revolucionou algo do conhecimento? Aquele criativo inventor que mudou uma comunidade inteira e virou notícia? Cadê a notícia de melhoras no ranking educacional comparado com outros países? No último, entre 40 nações mais desenvolvidas, ficamos em 38º lugar. A Argentina está um ponto à frente. Só falta ganhar a copa no Maracanã.

Vamos aproveitar que fomos ao fundo do poço – é assim que estão retratando o país depois da derrota – e vamos refundar o Brasil (exagero?). O momento eleitoral é propício. Do fundo, só resta subir. Não creio que qualquer das opções políticas tenha capacidade e compromisso de fazê-lo, mas já será alguma coisa se, em vez de votarmos em miragem, desfaçatez mimetizada de compromisso social, incapacidade edulcorada de bravatas, cinismo escamoteado de falsa ideologia, votarmos com realismo.

Lukas Podolski percebeu um país que derrapa ao citar a convulsão das ruas – atiçadas por grupos com apoio do próprio governo que lhes dá guarida e dinheiro público –, mas também viu que neste país (cito sua fala agora) tem um povo maravilhoso, um povo humilde e honesto. Um país que aprendi a amar. E eu acrescentaria: que todos nós precisamos aprender a amar a cada dia. Mas se você quiser, pode mandar a seleção e a CBF tomar no fuleco.

sábado, 12 de julho de 2014

Malévola




O filme conquista pelos efeitos especiais, bastante realistas, mesmo para os monstrinhos do reino de Moors. É uma releitura de “A Bela Adormecida”, já que a bela até dorme, mas não é importante neste enredo. Malévola é o eixo do filme, todos os demais personagens são escadas, nenhum se destaca por qualquer qualidade na atuação ou relevância na trama.

É uma história de perda (da inocência), de traição e redenção. A amargura que faz brotar um reino tem lá sua lição. (Nunca confiar em ninguém?) A raiz de amargura cresce, vira árvore e produz furtos azedos e dolorosos. A inocência perdida, no entanto, é reencontrada na personagem Aurora, filha do odiado rei Stefan, outrora, quando ainda garoto e adolescente, o primeiro amor de Malévola.

A ganância, possivelmente, filha da pobreza e do abandono sofridos por Stefan, o torna um homem insensível e mesquinho, obcecado por uma vida melhor, fato que ele demonstra ainda bem jovem, quando diz a Malévola que um dia moraria no castelo. Esse sonho o consumirá e ele fará qualquer coisa por isso, incluindo trair seu amor por Malévola. Aliás, nele sempre houve a semente da transgressão. O primeiro encontro deles se dá porque Stefan entra no reino de Moors e rouba uma pedra preciosa.

Mas à medida que o filme avança vou tendo a impressão de que entre estes dois mundos, o reino dos homens e o reino mágico de Moors, as figuras masculinas não passam de seres vis, orgulhosos, irascíveis, burros e serviçais. As verdadeiras heroínas, as que realmente sustentam estes reinos, são as personagens femininas.

O antigo rei, que no leito de morte rememora amargurado sua decepção, pois sua principal plataforma política, digamos, era destruir o reino vizinho e ele não conseguiu. Culpa seus oficiais e promete a mão da filha e o reino para quem matar Malévola. Eis o empurrão que o ambicioso Stefan precisava. Nesta história, assim são os homens, insanos em seus propósitos, vis e maléficos.

Enquanto Malévola, de protetora e amiga dos habitantes de Moors se torna a rainha dominadora e transforma o reino em escuridão, Stefan casa-se, e tem uma filha. Malévola vê aí o momento de sua vigança. Apesar do nome, só se torna má porque absorve parte da natureza masculina. Ela mesma, desde sempre, foi boa.

Um plano mal sucedido do rei de proteger a filha, leva-a para mais perto de Malévola que aos poucos vai sendo conquistada pela doce menina. A criança cresce e Malévola a protege de longe, sempre desdenhando, chamando-a de praga e sem querer, sua maternidade se instala e é correspondida por Aurora.

Stefan enlouquece por medo da vingança final de Malévola. Passa a vida sob suspense. Consome-se em num plano para uma batalha para capturá-la. Cumprida a maldição, o verdadeiro amor a despertar Aurora de seu sono profundo, será o de Malévola que, arrependida tenta quebrar a própria maldição lançada sobre a garota. É seu amor pela princesa, não o de um príncipe garboso e corajoso, que a acordará. Este mesmo mais insosso que caldo de convalescente.

Na batalha final, novamente os homens são um bando de estrupícios, sádicos, soldados – talvez a melhor representação da burrice que só segue ordens e não pensa por si – um rei louco de ódio e medo, não logram destruir Malévola. O rei morre por sua própria estupidez, pois mesmo vencido e poupado ainda tenta matar Malévola uma última vez e cai do alto do castelo.

A mensagem é que as mulheres sozinhas, carregadas dos estereótipos – amor maternal, esperteza, sentidos mais apurados, doçura, bondade, múltiplas em seus afazeres, capazes de compaixão, bondosas, mas guerreiras e com vidas como gatos – são as verdadeiras heroínas de qualquer mundo. No filme, Aurora e Malévola, são as que devolvem a paz e harmonia aos dois mundos.

Os homens, por sua vez, são rudes, vingativos, suspeitosos, violentos, medrosos, péssimos políticos, incapazes de compaixão, traidores. Parece que a roteirista quer mostrar que um mundo cuidado pelas mulheres tem mais chance de dar certo. Uma mensagem feminista azeda, que estimula uma visão equivocada dos homens e não ajuda na construção de uma sociedade plural e cooperativa.