segunda-feira, 16 de maio de 2011

Matou a rã do vizinho

Um homem foi condenado nesta quinta-feira pelo tribunal municipal de Krefeld, no oeste da Alemanha, a pagar uma multa de 1,5 mil euros por posse ilícita de armas após matar com um tiro a rã de um vizinho.

Fonte: EFE Em Berlim (12/05/2011)

Precisamos decidir qual é acusação que cabe ao suspeito. Ou é posse de armas ilícitas ou pela, admitamos que seja, morte da rã do seu vizinho, clamou o promotor. Eu nego a morte da rã. O senhor terá sua vez de falar. Mas eu tenho o corpo para provar, meretíssimo, disse o acusador. Tenho guardado a falecida na geladeira... Você guardou uma rã em sua geladeira? Não o corpo assim, nu, mas devidamente acondicionado num féretro como ela merecia. Há que se ter um pouco de respeito pela dignidade do corpo de uma pessoa querida, não é? Se o senhor diz...
        Acho que podemos dispensar a vista do corpo como prova dos autos. Ele está em bom estado, fede? Rígido, coloquei um pouco de formol. Sim, sim, não será necessário, que se registre. De qualquer modo, meretíssimo, um perito contratado por mim alega que o ferimento que ocasionou o falecimento de minha rã é compatível com as armas do assassino.
Alto lá, assassino é de gente e eu não matei uma pessoa. Para você, que é um ser desalmado, mas naquela lagoa, a rã me foi companheira de solidão e atenciosa ouvinte. Ela coachava feito louca, meretíssimo. Já lhe foi dito que sua vez vai chegar. Êpa! Então você confessa o crime? Que crime? O assassinato da rã de seu vizinho. Meretíssimo, desculpe a intromissão. Mas a rã a quem vocês se referem tinha um nome e eu, na qualidade de amigo, gostaria que vocês se referissem a ela como gostava de ser chamada: knötti.
Pois bem, a rã knötti foi assassinada pelo senhor? Meretíssimo, veja bem, a lagoa, morada da tal rã, fica praticamente embaixo de minha janela e a bicha não sabia coachar noutro lugar a não ser ali. Mas ela não sabia coachar, quem coachava era o marido dela, o Ahab, que ficou coxo depois de seus tiros. Escapou milagrosamente de sua fúria assassina. Há mais vítimas? Perguntou espantado o juiz. O senhor é praticamente um serial killer. O senhor tem algum pendor para matar estes pobres... pobres ani... quero dizer, este tipo de vítima? Não, senhor. Então teve algum trauma quando criança. Sua mãe lhe amedrontava com rãs? Não senhor, respondeu cabisbaixo.
O caso está muito enrolado, Excelência, alegou o promotor. Acho mais fácil condenar o réu por posse de armas. As provas de assassinato são frágeis e circunstanciais. Eu também fico louco com coachar de sapos. Rãs, doutor. Sim, qualquer desses batráquios.
Diga-me, senhor Ahab. Ahab é o marido da falecida, senhor promotor. O que ficou coxo por causa do atentado. Desculpe. De onde vem esta sua admiração por anuros. Anu o quê? Anuros! Animais anfíbios que englobam rãs, sapos e pererecas. Ah, pois não. Não sei. Talvez alguma fixação infantil... Não sei dizer não senhor, o que vejo aqui é uma brutal injustiça, afinal, knötti morreu e nem ao menos coachava. E como o senhor sabe de tal coisa? Já disse, nós conversávamos. Era até meio gaga, coitada.  O senhor conversava com uma perereca. Rã, senhor. Que seja! Eu a conhecia desde que era uma linda girina. Mas agora...
Voltando-se para o suposto assassino. Mas o senhor confessa que odiava o coachar das rãs, isso o torna, no mínimo, o principal suspeito. Sem contar que é possuidor de armas proibidas. Esta parte eu admito, tenho armas, mas nego peremptoriamente ter matado de propósito a dona knötti. Agora é dona? Que posso dizer? Estou triste e desconsolado com o acidente. Então matou. Não matei. Meretíssimo, talvez seja boa ideia expor o corpo para exame. Hum... Discordo, alarmou-se o defensor da rã. Knötti merece respeito. Eu só guardei o corpo como prova para mostrar a este homem que não se deve matar uma espécie protegida. Se matamos as rãs hoje, o que será amanhã?
Está bem, vamos decidir. O senhor terá as armas letais apreendidas e pagará uma multa de 1,5 mil euros. O senhor, livre-se da perereca, está proibido de mantê-la no seu necrotério particular. O senhor não tem licença para isso. E cuide para que o senhor Ahab não coache por aí. Meretíssimo, o senhor permite que eu faça as exéquias da finada knötti no lago. Meirinho, chame a segurança e ponha estes dois loucos para fora antes que os mande prender.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Acabam-se relacionamentos. Preços módicos

O site dos covardes chama-se iDump4U e cobra US$ 10, US$ 25 e US$ 50 por seus serviços. Os preços referem-se, respectivamente, a ligações para realizar o término de um relacionamento “básico”, o final de um noivado e um divórcio – note que, quanto mais séria a relação, mais caro o valor cobrado. Justo.

Fonte: UOL tecnologia 04/05/2001

Nosso negócio está bombando. Ajuda muito quando um ator ou atriz famosos dizem que relacionamentos sérios estão em baixa e que o negócio é curtir. Sabe aquela música “já sei namorar”? “Eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo é meu também”? Pois bem, a coisa é por aí. Em tempos modernos não cabe mais casamento, disse a Cameron Diaz outro dia. Costumes antigos, desdenhou. Aqui para nós, no fundo, apesar de um monte de relações que teve, ninguém quis assumir a aliança e ela, claro, desdenha. Mas isso é radical demais, assim nosso negócio nem existiria.
Acontece que as pessoas continuam em busca de alguma coisa tipo “eterno enquanto dure” (ainda bem) e, teimosas ou auto-enganadas, acreditam que em algum lugar uma alma gêmea o/a espera para viverem aquele velho clichê de um final “felizes para sempre” que o cinema imortalizou. Numa praia paradisíaca, os dois correm um em direção ao outro. A câmera lenta destaca os cabelos dela ondulando acariciados pelo vento. Ele desmancha-se num sorriso encantador de propaganda de pasta de dentes. Encontram-se num abraço amável, rodopiam e finalizam com um beijo apaixonado, enquanto a imagem mostra sua silhueta contra ondas explodindo na praia de um sol de fim de tarde.
Ei, acordem suas antas!! O buraco é mais embaixo, como diria o sábio filósofo Maçaranduba. A maioria das relações acaba porque ninguém se aguenta e uma hora abusam dos cheiros, das falas, de ter que dividir seus momentos, seus gostos, o controle remoto, a cama, o banheiro, de ceder para agradar e etc, etc. Mas... tem sempre um porém. Acabar por estas razões soa muito estranho, porque estas coisas, individualizadas, parecem pequenas para destruir o sonho de amor. Mas não se enganem, são elas, senhoras e senhores, que minam o sonho da Cinderela.
A história feliz acaba sempre no encontro, ninguém se atreve a mostrar o dia a dia dos maus bofes dos dois. A intolerância e a picuinha. A mesquinharia de fazer exatamente aquilo que o outro não gosta e já pediu milhares de vezes que não fosse feito e é por isso mesmo que se repete. É ou não é? Ah, vocês não lembram. Entendo.
Eis a razão da existência da nossa empresa. Fazemos o serviço sujo para os covardes. Pelo menos é melhor do que a história daquele cara que chega de um dia de trabalho, deixa um pacote de pão sobre a mesa e diz à mulher que vai ali à esquina comprar um cigarro. Pois bem, dez anos depois a mulher ainda não sabe onde diabos ele foi comprar o tal cigarro.
O namoro vai mal das pernas? Pela bagatela de R$15,00 a gente despacha o/a desafortunado/a para você. Por telefone, esqueci de dizer. O noivado! Descobriu que é a maior fria em que você se meteu. Já compraram umas coisinhas juntos para o ninho de amor e até estão contribuindo, cada qual com uma parte, para pagar o cartão e o sujeito/a vem se fazendo de morto/a para sacar os cobres. Sei como é. Aconselho. Pulem fora. Custa tão somente R$25,00 a ligação. Neste caso, temos um arsenal de palavras duras que você pode escolher para, digamos, entregar ao/à desinfeliz.
Casamento é barra. Isso porque quanto mais tempo de relação, mais difícil é nosso serviço. Você não queira saber o que acontece numa ligação dessas. Se quiser, por mais modesta importância podemos enviar a gravação. Aviso, o conteúdo é forte.  Mas nós também damos um jeito. Você não faz, nós fazemos. Pode ser com requintes de crueldade ou não. Às vezes dá pena, sei como é. Diante do que enfrentamos, o preço é módico, apenas R$50,00.
Nem se preocupem, há garantia absoluta do término. Até agora nenhum de nossos clientes reatou. Nossa experiência diz que não são as palavras ditas, as razões alegadas, é o desplante de desfazer a relação por telefone e pela boca de terceiros. Isso ninguém perdoa. E aí, vai querer?

sábado, 23 de abril de 2011

Macaco também é gente

Os desembargadores da 2ª Câmara Criminal do Rio decidiram que chimpanzé não é gente, apesar de seu DNA ser 99,4% igual ao dos humanos, segundo o relator do processo, e negaram pedido de habeas corpus a Jimmy, um chimpanzé de 27 anos.
O primata vive há cerca de 12 anos no Zoológico de Niterói. A intenção dos ambientalistas que entraram com o pedido é transferir Jimmy para um santuário em Sorocaba (99 km de SP).

Fonte: Folha de São Paulo (CRISTINA GRILLO - DO RIO)

Apenas três horas foram suficientes para o colegiado de desembargadores aniquilar com o pedido dos advogados de Jimmy. Isso depois de citar meia dúzia de prêmios nobel, filósofos e professores de bioética. Coisa de altíssimo nível, mas que a Jimmy causou sono e aborrecimento. Por deferência especial, pode assistir ao julgamento. Foi a concessão mínima a que teve direito.
A tese de seus advogados defendia direitos humanos para Jimmy, secundados aí por um monte de assinaturas e presenças de defensores da natureza, gente do greenpeace, peta e outros ongueiros. Mas a coisa toda estava quase liquidada. Sem papas na língua, um desembargador disse com crueza: chimpanzé não é gente. O advogado redarguiu. Excelência, nem com 99,4% de parecença genética com os humanos? Eles são como índios, de quem se dizia antigamente que nem alma tinham. Discriminação igual sofreram os negros, as mulheres, os gays... No dia em que eles usarem o polegar e fizer uma pinça com o indicador, eu mudo de ideia. Os míseros 0,6% dos quais o senhor desdenha e nos compara, faz muita diferença, é como estar meio grávida ou ser meio virgem.
Jimmy olhava a cena entediado enquanto o desembargador dizia que ele não era alguém. Aquilo já lhe enfadava sobremaneira que tinha, sim, lá sua própria opinião sobre si mesmo, o que o tornava alguém, pois elucubrava sobre si. Como que a tripudiar em alto nível do advogado, que a esta altura perdera completamente o ânimo, disse ainda um dos juízes. Bobbio diz que mesmo que a evolução nos leve a reconhecer, vá lá , a humanidade de um chimpanzé, por enquanto obedecemos a constituição que, para sua informação, desconhece a pessoa de uma macaco, se me permite a contradição. Para ser gente, tem que ter deveres. Seu macaco paga impostos? Tem carteira de motorista, indentidade, cpf?
Aquilo foi a gota d’água para Jimmy que até ali assistira impassível ao tripúdio que se fazia de sua pessoa. Olha aqui! Ei! Platéia, juízes e advogados, meio atordoados, procuravam saber de onde vinha aquele chamado insolente e despropositado. Ninguém olhou para a gaiola onde Jimmy fora esquecido durante o debate. Horrorizados e estupefatos, perceberam por fim que Jimmy falava. A balbúrdia se instalou. Pedia-se calma e silêncio. O presidente ameaçava expulsar todos, prender, o diabo a quatro. Percebendo que conseguira a atenção dos presentes, Jimmy continuou.
Dirigindo-se ao advogado, demitiu-o publicamente. Você é incompetente. Seus argumentos nunca me tirarão da prisão. Que história é essa de discriminação, parece debilóide, eu hein! Alguém tem um cigarro aí? Minhas ideias ficam mais claras depois de umas boas baforadas. Não se permite o fumo dentro do tribunal, disse um juiz empertigado. Que seja. Isso tudo aqui já me encheu. Não tenho documentos porque sou anarquista, graças a Deus!
Alguém já leu Thoreau? Uma frase dele é minha máxima de vida: “É preferível cultivar o respeito do bem que o respeito pela lei.” Sou praticante da desobediência civil por isso não pago impostos. Vocês desperdiçam impostos com este falatório. Os políticos os roubam descaradamente e quando fazem alguma coisa, nada mais que a obrigação, vendem a nós como se fosse uma dádiva. Uma cambada de patifórios!
O senhor, quero dizer... Volta-se aos companheiros. Como chamá-lo? Os outros dão de ombros. Jimmy ria do desconcerto do homem. Chame do que quiser senhor juiz, mas cuidado, processo-o caso ofenda minha dignidade. Não me ameace seu, seu... chimpanzé! O senhor dizia. Não sei que diga. Você está preso e continuará assim. Você é só um macaco. 
Interpelá-lo-ei agora. O senhor é um ignorante, exijo sair daqui com deferimento de uma liminar com base no periculum in mora e no fummus bonis iuris. Como assim só um macaco? Vejam os senhores que falo. Que fiz eu para sofrer prisão sem julgamento? Rotulando-me, os senhores me diminuem. Macaco também é gente. Pego a frase de empréstimo, embora, originalmente, ela tenham sido dita por um burro e dirigida a um cachorro, com quem não me comparo, mas estes andam soltos por aí. Até no colo de suas mulheres que não tem o que fazer.  Ver-no-emos no Supremo.

terça-feira, 19 de abril de 2011

“O que eu gostaria de ter que o dinheiro não compra’’

De: Yáron Alencar, 9 (filho de Eudes Alencar)

Eu gostaria de ter amizade,amor,carinho e muito mais coisas só que eu não penso que o dinheiro faz tudo,mas existem várias pessoas que pensam que o dinheiro move o mundo,que ele compra tudo mas depois com a experiência de vida essa pessoa percebe que o dinheiro só pode comprar mas não conseguir emoções genuínas. 

domingo, 17 de abril de 2011

Só é feio quem quer

O CAP (Comitê de Prática de Propaganda) do Reino Unido, lançou na última semana uma nota de orientação para todo o setor de cosméticos, ajudando-os a criar suas campanhas de beleza sem confundir ou enganar os consumidores. 
Não haverá lei imposta, mas a recomendação é que as empresas de publicidade sigam estas orientações e revejam o uso da pré e pós produção nas fotos de propaganda.  

Fonte: UOL Blogosfera

O Brasil, dizem, é um dos países em que as pessoas mais valorizam o aspecto estético do corpo. Pudera. País tropical e ainda andamos quase nus como no tempo do descobrimento. Deve ter sido difícil assistir a uma missa com a indinhada com as vergonhas expostas, como disse Caminha. Quer dizer, com tudo quase à mostra, tem que enfeitar (ou disfarçar) de alguma forma, né não? Botar pena, só no carnaval, no restante do ano fica estranho, então é por um creme, blush e botox que congela qualquer coisa, inclusive, pasmem senhoras, aquelas bundas momescas que por mais que rebole nem chegam a tremer.
Também dizem que somos vice-campeões em cirurgias estéticas, taí a Ângela Burlamarqui que não nos deixa mentir, pois original dela mesma sobrou só parte do nome de nascença. O vice campeonato não é de admirar, afinal, atrizes, apresentadores, políticos – estes merecem uma abordagem à parte – e a patuléia que compra tudo da Jequiti, por excessiva exposição da face, se aventuram a dar retoques aqui e ali, às vezes acolá, lá e mais além, para parecerem mais jovens saudáveis e outros etc de não-sei-que-diga.
Digo que os políticos merecem um tratamento particular, porque nem sempre se trata de estética e vaidade o motivo pelo qual lançam mão de uns retoques. A maioria usa material menos sofisticado, mas de eficácia comprovada ao longo de anos. Pergunte à sua mãe ou avó como é que elas cuidaram dos móveis por gerações. Claro, agora se encontra o tal óleo em spray e outras formulações modernas, igualmente úteis naquelas horas em que o político promete céus e terra ou nega de pés juntos que aquele lá na filmagem não é ele em absoluto, ou era ele mesmo, mas recebia pagamento justo e acertado em negócios honestos com gente igualmente honesta.
Mas, perco-me em divagações. Voltarei aos políticos adiante. Falo agora de Ritinha, que anda indignada porque o cabelo, a pele, os cílios deveriam estar iguaizinhos aos da Gisele Bündchen e, no entanto, o cabelo continua a bucha de sempre, os cílios até caíram metade depois do rímel da propaganda e a pele parece tão seca que faz barulho quando uma parte roça a outra.
Ritinha não sai de casa sem um batonzinho, mesmo que seja para ir na quitanda de seu Nicolau. Eu me cuido, meu filho, diz faceira para Mundicão quando ele reclama. Quando a propaganda sai na televisão, ela corre para ver e comparar com resultado de litros de xampu comprados com o que economiza a duras penas. Mas a cada “rebanada” que a Gisele dá com aquela cabeleira, que chega até a sair faísca de tanto brilho, é como uma facada em Ritinha e olha que ela balança a cabeça mais que a Joelma do Calypso.
Outro dia se pegou piscando diante do espelho que nem a “esquila” da Era do Gelo. Era pra testar o volume, a delicadeza e a sensualidade dos cílios compridos que o rímel prometia. Antes que se convencesse de alguma coisa, Mundicão lascou: deixa eu soprar pra tirar o cisco dos teu zói. Matou Ritinha. Ela esta encucada porque o resultado da tv não acontece com ela. Agora ela decidiu. Vai denunciar a “biutiful body” ao procom. Ritinha não conhece fotoshop nem adivinha que a cambada da publicidade faz miséria na pós-produção das imagens.
Outro dia, Ritinha apareceu em casa com os lábios inchados. Mundicão, que não perde a oportunidade de fustigá-la, perguntou se tinha sido picada por maribondo e ela, revoltada, disse que pôs silicone para dar volume. Não dá nem pra dizer com que a boca da Ritinha está parecida, com aquele bico só dá pra pensar maldade.
Então, minha amiga, não adianta se enganar. Aquele cabelo de seda não vai aparecer em sua cabeça, nem por milagre, daquele xampu e daquele creme rinse. O pés de galinha só com reboco de construção, porque aquele creme revolucionário só funciona na tv. E o corpinho 38 depois de usar o body-qualquer-coisa, nem em sonho. Se não for na faca, você continuará com aquela barriga tribufu. É assim. A vida é mais dura do que parece.
Isso só funciona mesmo – volto aos políticos – com as raposas da política nacional. Isso porque os bichos são quase mutantes de tantas caras que usam. Sem contar cabelos e bigodes de cores inacreditáveis. Alguns, para se descobrir a cor original, só se fizer teste genético ou exumação.
Assim que, prezados leitores metrossexuais e leitoras desesperadas, não caiam na esparrela do teste do “antes e depois”. Aquele aparelho cheio de marmotagem com tecnologia da Nasa nunca lhe dará a barriga tanquinho nem o peitoral daquele modelo. Aqui pra nós, ele também botou peito. E você,  querida leitora, que já não sabe mais a cor dos próprios cabelos, não se engane com aquelas mulatas com nádegas, peitos, panturrilhas e outros que tais inacreditáveis, é tudo plástico e o cabelo foi comprado em algum mercadinho do ramo.
Este é mais um serviço público de informação desta coluna.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Csi canino

A cidade espanhola de Hernani, no País Basco, lançou uma nova lei que já está sendo chamada "CSI Canino". A partir de agora, os cachorros terão de fazer testes de DNA e cada vez que um deles fizer cocô na rua, a polícia fará a identificação genética para encontrar o dono que não limpou a porcaria em via pública.

Fonte: De Madri para a BBC Brasil (Anelise Infante)

Boa tarde, senhor Paco. Somos da Correição de Fezes Caninas – CFC da prefeitura municipal e o senhor está sendo intimado a comparecer ao nosso escritório, pois há uma multa em nome de seu cachorro, quero dizer, em seu nome. Isso é uma pegadinha? Cadê a câmera escondida? Vai até o arbusto em frente da casa. Olha ao redor da árvore. Já sei, você está usando uma destas microcâmeras. O botão! Eu já vi isso antes. Põe o olho próximo ao botão, enquanto o homem recua desconfiado. Paco dá um tchauzinho para o botão que julga câmera. Não é o botão?
Então é a caneta, como eu não havia pensado antes. Vi propaganda dela na interenete. Pega a caneta do bolso do agente municipal. Este a toma de volta com um sopetão. Comporte-se senhor Paco, isto não é uma pegadinha. Saca uma carteira e mostra a identificação. Juan Xavier, agente da CFC.
Olhe aqui, não comparecerei ao CFC coisa nenhuma, ninguém pode provar nada e ademais, há muitos cães soltos pelas ruas desta cidade. Digo mais. Cocô de cachorro é tudo igual. Aí é que o senhor se engana, senhor Paco. Usamos alta tecnologia, somos uma agência de investigação sofisticada. Cada cocô tem uma marca genética. Seu cão defecou e a amostra testada é 99,99% exata. Foi seu cão. A propósito, ele está em casa, não ouvi latidos. Err... sim, sim, está. É educado e não late à toa. Olha por cima do ombro do agente à procura de Bibo.
Não mude de assunto, o senhor mesmo se denunciou. Há uma chance matemática de que meu cão não seja o autor da infração. E o 0,01%? Matemática é uma ciência exata, se não é 100%, há dúvida razoável pela inocência de meu cão. Senhor Paco, não existe dúvida razoável, pelo simples fato de que o teste não apontou nenhum outro cão da cidade e temos o perfil genético de todos. Mas pode haver erro. Quem me garante que um cão da cidade vizinha não tenha vindo aqui obrar o mal feito?
Temos um acordo com nossos vizinhos e eles não permitem que seus cães entrem em nossas fronteiras e nós não permitimos que os nossos invadam a deles, quem aqui vive, aqui caga. O senhor está baixando o nível, senhor agente. O senhor está importunando o meu trabalho, recusa-se a atender uma ordem e me fazendo explicar tolices. Sou cidadão, tenho direitos. E obrigações. Uma delas é juntar a bosta de seu cão na rua.
É bom que o senhor saiba que sou parte da Ong, “Deixe a bosta do meu cachorro em paz”. Já ouviu falar? Não senhor. Porque é um alienado. Estamos na internete e somos contra esta lei mesquinha e perseguidora. E ainda vamos fazer muito barulho. É por estas e por outras que vocês sofreram aquele atentado em seu escritório. E aviso, outros pacotes merdáceos serão lançados, agora em vocês. É uma ameaça? Não, um aviso.
Por que vocês não adotam a delação premiada, como na cidade vizinha? Já testamos. Vizinho inimigo delata o outro por vingança. E marcação com bandeirinha em cada cocô na rua, um censo. Sinaliza ao transeunte distraído e causa vergonha, porque por todo lugar se veria as bandeirinhas. Uma senhora processou a prefeitura porque sua porta foi excessivamente marcada e, como decidiu o juiz, configurou-se uma difamação, embora ela possua três gatos e cinco cachorros.
Eu não acredito em dna merdícola. A prefeitura quer nos extorquir com multas descabidas. Senhor, cada ser vivo evacua parte de seu dna em suas fezes. As suas, por exemplo, tem seu dna. Seu cão está em casa? Poderíamos tirar uma contra-prova. Acho que está. O senhor disse que estava. Está, está... Olha novamente ao redor em busca do cão. Não interessa se meu cão está ou não está. Tem mandado? O seio do meu lar é inviolável. Sei meus direitos, senhor agente.
Quero ajudá-lo, a contra-prova tiraria qualquer dúvida e provaria a exatidão e eficiência de nossa técnica. Não falsificamos titica, senhor. Estou perdendo meu tempo. Seu cão é o culpado e se o senhor não comparecer, a multa será emitida mesmo assim. Devo dizer-lhe ainda que a multa é maior pelas repetidas vezes que seu cão defecou na via pública e pela quantidade. O que o senhor dá para este pobre animal comer?
Juan olha ao lado e empalidece. Bibo!!! O agente, ainda assustado, volta-se a tempo de ver Bibo na posição característica, o olhar pidão esbugalhado, a orelha murcha, soltando um barro na rua. Juan, ainda no susto. O senhor gostaria de tirar a contra-prova agora?

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Aparências, nada mais

Há coisas que são o que parecem ser. Outras parecem, mas não são. Ainda outras, são, mas não parecem e, por último, há aquelas que nem parecem e nem são. Sei que comecei este texto de maneira torta, forçando o leitor, neste domingo, que quer manter a cabeça fria e ler somente aquilo que nada ou pouco lhe exige, a fazer circunvoluções mentais para entender estas frases típicas de pegadinhas lógicas. Relaxe, caro leitor, não é nada disso.
Assumo, é um arrodeio para pegar no tranco um texto que estava meio difícil de moldar. Afinal, dizem aqueles que sabem mesmo escrever e vivem do ofício, que há dias de absoluta sequidão. No meu caso, nem a internete com notícias em páginas cornucópicas – ops, não é o que você pensou – são suficientes para despertar a atenção e facilitar o pobre coitado aqui a preencher o pedaço de página que lhe cabe.
Olha só, cheguei ao terceiro parágrafo com esta conversinha, mas não se avexem, há uma história para contar. Então, porque falei daquelas parecenças acima? Aqui vai. Meu personagem costuma ir a livrarias como um menino que vai à loja de doces. Ali se distrai, folheia um livro e outro, marca alguns como destinados a serem comprados em hora oportuna, quando lhe caem os cobres no início do mês. Se passar lá antes disso, folheará o objeto do desejo umas quantas vezes como a convencer-se de que deve mesmo comprá-lo e deixá-lo-á em estratégico esconderijo, a salvo de algum outro leitor.
Num destes dias que tocou efetivar a compra do esperado livro, estava já à beira do caixa e tranquilamente aguardava sua vez de ser atendido. Enquanto isso passeava os olhos pelos livros nas prateleiras próximas. Já se impacientava com a lerdeza do atendimento quando viu, em cima do balcão, diante da jovem que o precedia no pagamento, um livro cujo título era “101 posições sexuais”. A capa era discreta, estava ilustrada pelo torso nu de um casal, nada demais afora as letras vermelhas do título.
Pergunta-se meu personagem a razão da exatidão da quantidade de posições ofertadas. Ouve bem depois que o 101 tem a ver com um objetivo meramente marqueteiro. Não é 99, são mais de 100 posições. Efeito psicológico no comprador. Envolto ainda neste enigma, percebe que a moça à frente é a provável compradora. Ela não era feia, nem bonita. Era comum. Ele se admira que ela compre aquele livro e nem tente esconder nada, a capa, por exemplo. Sinal dos tempos? Emancipação feminina?
        Será que ela quer apimentar a relação? Alguém é capaz de praticar 101 posições?, indaga-se meu personagem. Pareceu-lhe um tanto exagerado. Convenhamos, é preciso ter um bocado de disposição e arte, porque certas posições são virtualmente coisa para contorcionistas profissionais. Além disso, neste quesito, ninguém inventa nada que o Kama Sutra já não tenha registrado. Quer dizer, não há nada de novo debaixo do sol, e posição não apimenta nada que já não tenha perdido seu próprio calor. Assim, gastava o tempo meu personagem e a moça lá, indiferente com seu ar blasé.
O celular dela toca. Não deu pra ouvir muito, mas o suficiente para confirmar uma segunda teoria de meu personagem. A moça deveria ser uma destas que põem anúncios nos classificados tipo “Kendra. Louca por sexo.” Há de se convir, entretanto, que estas mocinhas sabem coisa do arco da velha e um manualzinho frufru daqueles não acrescentaria nada. Mas quem sabe, funcionaria como um catálogo para os clientes. Fazia sentido. Mas que nome ela teria? Tinha cara de Francilene, será que usaria algo como “Pati, mignon gostosa”?
Em dado momento, ele a ouve responder... “Bruna e Bárbara”. Olha só, elas são três, pensou. E pouco mais adiante a moça garante ao interlocutor. “Sim, Bruna e Bárbara vão pra lá...” Os nomes, como se sabe, são bem comuns como pseudônimos daqueles anúncios dos classificados e, com certeza, ela deve administrar outras garotas. O personagem se orgulha de ser tão perspicaz. Está tudo claro, e tão somente ele viu uma capa de livro e ouviu umas poucas palavras. 
A compra da moça finaliza. Já não era sem tempo. Sem que o personagem tivesse percebido, ela, ao estender a mão para pegar a nota, levanta o saco com seu livro dentro, enquanto o das 101 posições jazia no mesmo lugar. Secamente ela voltou-se para a porta e se foi. Estupefato, meu personagem ainda ria de si mesmo quando a vendedora desmotivada e com ar de enfado lhe pergunta: “crédito ou débito”?